sexta-feira, 9 de novembro de 2007

No fim de todos os aborrecimentos, um sucesso!


Chuva, caos, trânsito louco, tunel fechado, aeroporto desorganizado e filas. Só se via isto no Rio de Janeiro justamente na véspera do Tim Festival. Somente após dois dias de intensa chuva (sem parar, nada de exageros) é que São Pedro deu descanso aos cariocas e turistas que dão vida àquela cidade o ano inteiro; descanso este que teve seu fim adivinha quando? Exatamente até uma hora antes do início previsto para o evento começar. Muita gente chegou atrasada, a maioria chegou em cima da hora. Eu cheguei duas horas antes dos portões se abrirem.

Correria, fanzinhos descontrolados fazendo cena... o de sempre. Já na fila o assunto não era outro senão Björk, a islandêsa do povo. Quando os portões foram abertos, com um atraso maior que meia hora, o circo estava armado: passa pelo detector de metais, revista, checa ingresso, troca ingresso por pulseira, procura o palco do primeiro show, mostra pulseira, checa ingresso e pronto... agora é só manter-se em pé no melhor lugar que conseguir e esperar. Esperei por uma hora até Antony (do Antony and the Johnsons) adentrar o palco para o primeiro show da noite.

Foi difícil, não só para mim mas para todos que não estavam ali com o objetivo maior de assistir o show emocionante porém arrastado do cara mais andrógino do mundo (alguém lembra de Boy George?). As pessoas queriam Björk, não tinha jeito. Como já li em uma reportagem (a única na mídia brasileira que levou em conta o show dos caras e os botou como máxima atração do festival) a organização do Tim errou em pôr um show tão bonito e lírico para abrir outro tão nervoso e intenso que atrai gente da mesma espécie. Mesmo assim, todos foram extremamente receptivos e cantaram em coro (acredite se quiser e puder, todos conheciam a maioria das 9 rápidas músicas que Antony tocou em seu piano acompanhado somente de violoncelo e um par de instrumento de cordas). Destaque para "My Lady Story" e "For Today I Am A Boy", ambas acompanhadas pela platéia inteira; e pelo encerramento com "Hope There's Someone" a faixa mais conhecida do grande público. Infelizmente, a conversa rolava solta em alguns pontos da tenda e por vezes, que não foram poucas, se ouvia mais o murmurinho das pessoas que a voz de Antony Hegarty, que agradecia o carinho dos brasileiros com timidez e pouca voz. No geral, foi uma bela apresentação que deveria ter sido feita em um lugar mais intimista, o que combinaria com o clima do próprio show.

Os momentos que seguiram após a saída de Antony e seus companheiros do palco não foram nada agradáveis. Os montadores de palco levaram quase uma hora inteira para montar toda a estrutura que um show de Björk necessita: telas de plasma, reactable (um instrumento futurista movido a toques), bandeiras asteadas por todo o palco com gravuras de animais, muitos ventiladores, microfones para o coro de meninas que acompanha a cantora chamadas de Wonderbrass, dois imacs, muita parafernália eletrônica e instrumental, lasers a postos e jatos de papel. Um verdadeiro carnaval futurista que empolgou e levou as 4 mil pessoas presentes ao delírio. Infelizmente a diva deixou de lado faixas de grande importância como "Bachelorette" e "Oceania" (ambas cantadas no Tim de Curitiba), porém presenteou exclusivamente os fans cariocas com "Unravel", "Cover Me" e "I Miss You". Na saída, todos extasiados não falavam de outra coisa senão a energia, beleza e simpatia de Björk nos palcos. A noite foi toda dela, sem sombra de dúvidas.


Um dos momentos mais inusitados do show: Björk se enrola por entre teias de aranha que saíram de suas mãos.


Após a canseira que a pequena Björk deu em todos, eu pensei em abandonar meu passaporte para o palco "Novas Divas" e ir embora, afinal de contas a missão já havia sido cumprida. Pensei melhor e fiquei. Ao chegar à tenda, vários lugares em arquibancadas montadas a direita e a esquerda do palco, um alívio! Katia B foi a primeira, uma grata surpresa para os desavisados que não conheciam seu excelente trabalho, estava muito bonita com um vestidão e cantando uma mpb eletrônica. Agradável aos ouvidos com toda a certeza. Após, entra Antony Hegarty para "tapar o buraco" que a canadense Feist deixou no festival, alegando não poder embarcar por conta de uma crise de labirintite. Infelizmente, o som estava péssimo, não se ouvia o piano que tanto dá força às músicas do grupo e afundou a promissora apresentação do cara. Uma pena, de verdade.

Depois da monotonia que a entrada de Antony foi para o público presente, eis que surge o destaque do palco "Novas Divas": Chan (ou Cat Power) e sua trupe do Dirty Celta Blues. Para um artista, se livrar de um vício por várias vezes melhora sua performance, para Chan Marshall a bebida até fazia bem artisticamente. Tudo bem que muitas vezes ela não se apresentava por estar demais bêbada, porém seus albuns eram mais originais e suas aparições explosivas. O que apareceu na minha frente naquele palco não era nada explosivo nem muito menos impactante como todas as gratas surpresas que tive naquela mesma noite... adentrou uma moça jovial, que mais parecia uma paquita da xuxa de tão inocente e animada. Não combinava, entende? No repertório somente músicas de seus últimos albuns ("You Are Free" e "The Greatest") com uma única e no mínimo necessária exceção para "Metal Heart" do disco "Moon Pix" de 1998, que segundo a própria "é da época em que eu era uma menina malvada". No fim, enfrentei uma guerra pra poder pegar um taxi de volta pro hotel, afinal de contas já passava de 1 hora da manhã e o único transporte seria o taxi... todos pensaram da mesma maneira.

Por fim, o Tim deixa saudades... pecou demais na organização como um todo, tanto nos preços dos produtos lá dentro da Marina da Glória (que por si só já é um espetáculo para os olhos) como na falta de praticidade de se adentrar o local, causando um certo tumulto. Pontos positivos foram muitos como a decoração do espaço de convivência que ficou excelente e a pequena Björk que mais pareceu um furacão.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Cubos de Açúcar

Os Sugarcubes em uma de suas formações (sem Magga Stina)


Os bons sons sempre por aqui, ainda mais se forem islandeses.

Antes de Björk (sempre ela) ser a Björk solo, ela foi a "vocalista esquisita dos Sugarcubes". A história do grupo não poderia ser diferente: foram descobertos pelo mundo através de criticos da New Musical Express (um semanário inglês) que tiveram acesso ao single de "Birthday" lançado pela Elektra em 1987. Viraram sensação no mesmo ano ao lançarem seu primeiro álbum Life's Too Good pondo definitivamente a Islândia no mapa musical do mundo.

Após uma turnê, lançaram Here Today Tomorrow Next Week ao lado de sua versão em islandês "Illur Arfur" em 89, não sendo um triunfo em vendas como o anterior porém mantendo a magia da banda que continuaram a lotar shows no mundo inteiro. Em 1990 Björk começou a ensaiar uma carreira solo indo cantar com um trio de jazz nativo que originou o belo disco "Gling-Gló", gravado de uma vez só sem segundas tomadas, recebendo disco de platina.

Em 91 contribuiu para vários discos como o "Ex:el" dos 808 State, Current 93 e reza a lenda que existiu um dueto com Sinead O'connor que jamais fora lançado. 1991 marca também o lançamento de Stick Around For Joy. Em 92 sai It Is It, um disco de remixes forçados e de pouca influência da banda, culminando em shows de abertura para o U2, onde se despediram de seu público na exata data de 17 de novembro dizendo: "obrigado, nós eramos os Sugarcubes". Em novembro de 2006 foram à Islândia se reunir para um show memorável.

De maneira resumida, a música da banda é um pop ácido e diferente de grande inteligência. Definitivamente marcaram seu lugar no mundo.

Duas fases dos Cubos de Açúcar para sentirem um pouco, o pop de "Hit" do álbum Stick Around For Joy e "Deus" de Life's Too Good.




sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Frutos da Islândia

A islândia tem uma incrível tendência a lançar sons magníficos para o mundo, de Sugarcubes (esqueçamos a maior de todos os islandêses por um instante somente) a Múm, de Gus Gus a Ghostigital liderado pelo irreverente Einar Örn; mas nenhum deles possui uma atmosfera tão única e linda quanto o Sigur Rós.

O marco zero da banda tem origem em mais ou menos agosto de 1994 na capital da gélida Islândia, Reykjavík, quando três nativos (Jón Þór “Jónsi” Birgisson, Georg Hólm e Ágúst Ævar Gunnarsson) decidem utilizar o nome da irmã de um deles para montar uma banda (Sigurrós significa “rosa da vitória” e é o nome da irmã de Jonsi que nasceu naquele mesmo mês, mais precisamente no mesmo dia em que a banda foi fundada). Em 97, após já terem firmado acordo com o selo Bad Taste (famoso por lançar todas as melhores bandinhas do local) lançam o cd Von e logo em seguida no ano seguinte a coletânea Von Brigði.

Em 1999 sai um dos mais belos trabalhos da banda, Ágætis Byrjun (que em islandês significa “um bom começo”) já com um novo membro na banda, Kjartan Sveinsson. Foi o disco que trouxe reconhecimento internacional ao grupo e o fez queridinho da crítica pelos dois anos seguintes, sendo até honrado como um dos melhores álbuns de todos os tempos e não é para menos, afinal a sonoridade de Ágætis Byrjun, o clima, enfim tudo é perfeito! É neste disco que estão as pérolas “Svefn-G-Englar”, “Vidrar Vel Til Loftarasa” (famosa pelo polêmico vídeo-clipe dos meninos se beijando e brincando de boneca) e a faixa-título do álbum. Várias faixas deste disco fizeram parte de trilha sonora de filmes como Vanilla Sky e seriados como 24 Hours. A formação da banda já não era mais a mesma por conta da substituição na bateria por Orri Páll Dýrason.
3 anos após o lançamento de Ágætis Byrjun, sai o diferente ( ) (este é o título do disco) cuja idéia principal era fazer com que os fãs batizassem as músicas como bem entendem. O disco não possui título nem nenhuma das músicas e foi todo composto em Vonlenksa, uma lingua inventada por Jónsi. Os islandêses possuem essa mania de inventar linguas e fonemas, Björk utiliza muitas palavras e sons improvisados em suas músicas, tal como Elizabeth Fraser do Cocteau Twins fazia. Após algum tempo, a banda entitulou as faixas em seu website. Há também um encarte todo em branco onde o ouvinte deveria escrever as letras das músicas como as entendesse (afinal de contas a lingua em que foram compostas não existe).


( ) o disco sem título e sem faixas do grupo


2003 foi o ano de uma parceria inusitada: o grupo juntou-se ao Radiohead para compôr a trilha de um espetáculo chamado “Split Sides”, sendo três músicas resultado dessa parceria incluídas no EP Ba Ba Ti Ki Di Do, tendo lançamento oficial em março de 2004.

Apresentando uma atmosfera misturada entre o primeiro e o segundo álbum do grupo, surge em 13 de setembro de 2005 o disco Takk... (“obrigado” em islandês). O hit “Hoppípolla” foi demais usado pela BBC em suas vinhetas e programas especiais sobre meio-ambiente, tornando-se uma das músicas mais conhecidas do grupo e alavancando as vendas de discos alcançando o marco de 2 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro. De fato, esta pode ser destacada como o maior êxito do Sigur Rós, não somente por ter sido responsável pelo reconhecimento da banda pelo grande público, mas por ser uma música intensa e mágica. Destaca-se também “Sé Lest” (N.R: a melhor música já feita pelo grupo). Em 2006 o lançamento do EP Sæglópur foi abafado pelo sucesso repentino e ensurdecedor de “Hoppípolla”, tendo sido adiado para a metade do mesmo ano. O EP conta com três faixas: “Refur”, “Ó Fridur” e “Kafan”. Em julho o grupo encerra sua turnê mundial que resultará nas imagens para um futuro DVD, até agora sem data para lançamento.

O mundo aguarda material novo desta banda tão única, afinal de contas tudo que eles fazem é magnífico e incomparável. Talvez seja a única banda da Islândia que conseguiu fugir da asa de Björk. Site oficial

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Continua o melhor...

Por muitas vezes lembram do Caetano como aquele velhaco meia-boca que sempre está em temas de novela ou hits escrotos de rádio. Vamos esquecer "Sozinho" e a burrice de "Rocks" do disco lançado ainda este ano (2007). Coisa boa de verdade de toda a discografia de Caetano se encontra perdida nas décadas de 80, 70 e final de 60. Nem é preciso ir tão longe, o ano é 1979 e o disco é Cinema Transcendental de Caetano e a Outra Banda da Terra (banda esta que lhe acompanhou durante toda a turnê deste disco).

Do início ao fim o lp é excelente. Sabe aqueles que servem para qualquer momento e a toda hora? Sem problema algum, sem faixa avançada nem nada... pode confiar: ouça-o inteiro. Tudo começa com "Lua de São Jorge", no maior estilão feliz e regado de regionalidade baiana seguida da linda "Oração Ao Tempo", quase uma cantiga de ninar. A terceira faixa é "Beleza Pura", um dos maiores sucessos de Caetano. "Menino do Rio" que era hit na voz de Baby do Brasil transformou-se em hino por Caetano, sem comparação! Depois tem "Vampiro", "Elegia" (uma das melhores do disco), "Trilhos Urbanos" que remonta uma bela tarde e "Louco Por Você" que inicia uma parte mais raiz e menos mpb de Cinema Transcendental.

A capa retrata o clima do disco: pura paz.

Boa dica pra quem tem "ataques mpbísticos" como eu e nunca sabe por onde começar. Comece por esta obra, com certeza um dos maiores momentos na música popular brasileira, se não for o maior.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Duas resenhas de quem presenciou Chan ao vivo

Cat Power Brasil Tour

por Marcelo Silva Costa - São Paulo
por Patricia Faller - Curitiba Cat Power, ao vivo no Sesc Vila Mariana, São Paulo.
06/11/01
Poesia Rock And Roll
Por Marcelo Silva Costa


Poesia. Poesia ao som de piano de calda, uma velha guitarra e um amplificador Fender que teimava em querer que seus chiados cortassem o silêncio. Assim podemos resumir a apresentação que Chan Marshall, mais conhecida como Cat Power, fez no teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, anteontem.

Mais de 600 pessoas lotavam o ambiente. As escadas de acesso pareciam cadeiras. E o silêncio imperava. Cat Power começou o show munida apenas de guitarra, microfone, uma bela iluminação e timidez, muita timidez. A timidez era tanta que a garota simplesmente uniu todas as canções do primeiro bloco, para que não houvessem aplausos.

Mas foi apenas parar com a guitarra para seguir ao piano que os aplausos vieram. Ela tentou, pelo menos por mais duas vezes fazer o público entender essa timidez, em vão. Assim, da metade do show em diante, Cat aceitou, com timidez, claro, as brincadeiras, e diminui a distância entre artista e público.

Cat Power errou várias canções, cantou algumas pela metade, brincou com a letra de outras. Quem esperava apuro técnico saiu decepcionado do show, assim como sairia decepcionado se tivesse visto o Nirvana errar "Smells Like Teen Spirit", no Hollywood Rock, anos atrás. A questão não é essa. Cat Power faz música em um mundo todo particular e quem quiser entender sua música precisa adentrar esse mundo. Só isso a permite tocar uma cover como "Satisfacion" dos Rolling Stones podando o famoso refrão.

O repertório garimpou 22 canções, sendo várias de seus cinco álbuns (os três últimos lançados no Brasil, via Trama) e sete inéditas, além de novas covers para canções de Robert Johnson, do Big Star e Bob Dylan.

O som tosco e os erros deram brilho a apresentação. É um mundinho todo particular esse de Cat Power. Um mundinho de música primária...

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Cat Power, ao vivo no "Era só o que faltava", Curitiba
07/11/01
Nem tanto poder, Chan Marshall
Por Patrícia Faller

O lugar onde foi o show de Cat Power em Curitiba, o "Era só o que faltava", faz jus ao nome (há algum tempo atrás era uma oficina mecânica - ainda não perdeu a "graxa"). A capacidade era para 200 pessoas; foram vendidos 150 ingressos. Teoricamente o show começaria às 21:30, mas na prática, pouco depois da meia-noite. Pouca gente "entocada" em uma garagem seria perfeito para a cantora, afinal, este não é um show de grande porte. Chan é miúda, tem a voz gravíssima (sem exageros) e sua timidez faz com que se esconda o tempo inteiro atrás dos cabelos e da guitarra. Ela exige absoluto silêncio durante a apresentação - esta, por sua vez, foi interrompida algumas vezes.

Qualquer barulho adicional era motivo para que Chan ameaçasse sair do palco. A performance surpreendeu a maioria dos indies curitibanos ali presentes, pois ela se prendeu mais aos covers do que aos próprios sucessos. Quem desejava algo barulhento, recebeu uma "harmonia" em troca (entre aspas, porque a moçoila errou várias letras e acordes - parecia nervosa). Eram constantes os gritos implorando "Nude As The News" e "American Flag" (faixas dos álbuns "What Would The Community think" e "Moon Pix", respectivamente). Destaques: "Troubled Water" (Michael Hurley), "Sea Of Love" (Phil Phillips & the Twilights), "Back Of Your Head", "You May Know Him", "In This Hole" e "Sophisticated lady". Um típico show nota 5.

Sugestão: para quem pensa que os únicos discos da Cat Power são os mencionados acima e o "The Covers Record", há dois anteriores: "Dear Sir" (1995) e "Myra Lee" (1996 - mesmo ano em que foi gravado "What Would The Community Think"), não foram lançados no Brasil. Apesar de terem qualidade inferior aos três últimos, ainda têm lá as suas qualidades.


SET LIST CAT POWER - São Paulo

GUITARRA

"Merewolf" (Michael Harley)
"The Party" música nova
"Baby Doll" música nova
"Come on my Kitchen" (Robert Johnson)
"You" música nova
"Fool" música nova
"Sofisticated Lady" (Duke Ellington)
"Kingsport Town" (tradicional) *Bob Dylan fez uma versão
"Everytime" música nova
"King Rides By" álbum "What Would The Community Think?"
"Sea of Love" (Baptiste e Khoury) - álbum "The Covers Record"
"Jump" Jessie May
"Nightime" Big Star
"Back of your head" álbum "Moon Pix"

PIANO

"In This Hole" (Chan Marshall) "The Covers Record"
"I Found a Reason" (Lou Reed) "The Covers Record"
"Wild is the Wind" (Tiomkine) "The Covers Record"
"Loving days a New York Town" música nova
"Funny Things" música nova

Fora da ordem:

"You may know him" (Chan Marshall) álbum "Moon Pix"
"Knocking on Heaven's Door" (Bob Dylan)
"Moonshiner" (tradicional) álbum "Moon Pix"

Sorria, Chan!

Atualmente Cat Power (ou Chan Marshall) é considerada diva pelos metidos a alternativos.


Resenhar a obra de Chan Marshall é um pouco dificil. É dona de momentos brilhantes e outros foscos e sem-graça beirando a chatice. Marshall é a mulher a frente do grupo Cat Power (diga-se de passagem, grupo de uma integrante somente). É instrumentista, compositora e cantora. Nada mau se não fosse tão intimista assim.

Sua história não é tão curiosa assim. Nasceu em Atlanta nos Estados Unidos no ano de 1972, largou os estudos aos 17 anos e foi a New York em busca de algo melhor. Em 94 abria shows para Liz Phair (outro ícone da múysica alternativa feminina) quando Steve Shelley (baterista do Sonic Youth) e Tim Foljahn do Two Dollar Guitars a convidaram para gravar dois discos, um pelo selo italiano Runt (Dear Sir do mesmo ano) e Smells Like Records (Myra Lee de 95). Apesar de haver um ano inteiro que separa seus lançamentos, ambos foram gravados no mesmo dia.

Em 1996, Cat Power lança What Would The Community Think? agora pelo grande selo Matador Records. Sem surpresa alguma e com poucos momentos cantarolantes ("Taking People" é o o ápice do disco), pouco chamou atenção da mídia em geral. Nele é tudo muito repetitivo, monótono e igual; essa fórmula jamais seria banida dos discos posteriores que, diga-se de passagem, todos eles possuem um pequeno resquício de What Would The Community Think?, porém sem exageros, maior empolgação e muito mais musicalidade. Muito 'lo-fi' irrita.

Dois anos se passaram e surge o grande Moon Pix em 1998. Desta vez Chan acerta em cheio a fórmula da tristeza junto a musicalidade e beleza. Deixou de lado a palidez e construiu lindas canções como "Cross Bone Style" (que tem aquele clipe famoso na MTV Brasil em que ela aparece de unhas pintadas de amarelo, com dançarinos em um cenário de fundo branco), "American Flag" (que abre brilhantemente o cd) e a balada "Metal Heart". Um dos melhores, se não for o melhor trabalho de Cat Power.

Em mais um intervalo de dois anos, surge com The Covers Record, como o próprio titulo deixa claro, um álbum de covers de músicas consagradas como "(I Can't Get No) Satisfaction" dos Rolling Stones e "Wild Is The Wind" de Nina Simone. Extremamente superestimado por fãs e simpatizantes da cantora, eu particularmente ponho The Covers Record no ranking dos piores de Cat Power. Dono de um clima arrastado e sem animação alguma, pode deixar este cd enpoeirando laaaaa no fundo da sua discoteca. Uma boa amostra dessa chatice toda foram os shows que Chan fez no Brasil para divulgação de The Covers Record, onde ela por pouco não conseguia cantar de tão bêbada que estava. Decepção para muitos, alegria de ver sua diva chapadona para outros (mesmo esquecendo letras, chamando palavrões gratuitamente e arrotando alopradamente) a turnê passou por São Paulo (contando com um pocket show na Loja Fnac), Rio de Janeiro, Porto Alegre (com abertura do grupo local Os The Darma Lovers) e Curitiba. Poucos veículos de comunicação brasileiros cubriram os shows, afinal ela faz questão em manter a pose undergorund, fazendo declarações neste estilo: “Detesto quando as pessoas aplaudem. Eu odeio quando tenho que parar a música, as pessoas aplaudem, então tenho que dizer ‘obrigada’ e começar de novo. O ato de aplaudir é estranho para mim, literalmente”. Para delírio dos admiradores, os ingressos dos shows em todas essas capitais iam de R$7,50 a R$20,00, afinal Chan veio sozinha ao país fazendo um show mais barato.

Somente no ano de 2003 lançou um álbum com faixas inéditas, recrutando gente de peso como Eddie Vedder e Dave Ghrol para participar de You Are Free. Este é por muitos considerado o trabalho mais rock de Chan, prova disso é o maior hit de sua carreira "He War" (6ª faixa do disco), que apresenta uma faceta um pouco diferente de Chan. O clipe desta faixa é tão bom e poderoso quanto a música. Excelente!

2006 é o ano de The Greatest ser lançado, até agora eleito pela crítica especializada o melhor álbum da carreira de Cat Power. Destaque para as excelentes "Love and Communication" e "Lived In Bars".

The Greatest é considerado o melohor trabalho de Cat Power!



Atualmente, cinco dos trabalhos lançados pela Matador (incluindo The Greatest) estão disponíveis no Brasil pela Trama. Vale bastante a pena conhecer o que tem de melhor na carreira da rainha da tristeza alternativa.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Pernambuco como sempre rendendo no rock nacional

Os pernambucanos do Mombojó em foto de divulgação .


O mais próximo que uma banda pode chegar de Los Hermanos é Mombojó. Esta banda pernambucana despretenciosa e simples de curtir foi uma das grandes apostas nestes últimos anos. No quesito "surpresa" a banda formada por Felipe S (vocal e responsável por rande parte das letras da banda), Marcelo Campello (violão, cavaquinho e escaleta), Marcelo Machado (guitarra), Rafael (flauta), Samuel (baixo), Vicente Machado (bateria) e Chiquinho (teclado e sampler) acaba deixando na vontade.

O primeiro disco da banda entitulado Nadadenovo apresenta uma atmosfera bossa-nova moderna em faixas como "Deixe-se Acreditar" e "Nem Parece" dando uma voltinha no rock mais pesado em "A Missa". Nadadenovo foi lançado no ano de 2004 através da revista Outracoisa (cujo dono é Lobão) em uma tiragem de 20 mil cópias. Pouco depois disponibilizou ambos os discos para download no siteoficial. Há quem compare a sonoridade deste album aos fantásticos Stereolab, mas aí já é um pouco exagerado. Como bons brasileiros que são, não deixam a peteca da brasilidade cair nunca. Na 7ª faixa nota-se a enorme influência de Jorge Ben no som dos caras ("O Céu, o Sol e o Mar").

Já o segundo álbum Homem-Espuma se diferencia um pouco do primeiro pro ter sido gravado em um estúdio maior fora de Recife (em São Paulo). Quanto a sonoridade houve uma grande mudança na calmaria em relação ao primeiro disco, dessa vez Mombojó abusa um pouco mais do rock, sem deixar de lado os tecladinhos estilosos que dão um ar retrô à banda. Grande destaque para a música titulo do cd, "Realismo Convincente" e a funk (?) "Pára-Quedas".

Aqui uma entrevista cedida pelos caras ao site O Dilúvio após o lançamento de Homem-Espuma:

E o Homem Espuma?

Samuel: Foi uma experiência nova, porque o Nadadenovo a gente gravou tudo lá no Recife, com nossos amigos, e o Homem Espuma não, já foi em São Paulo, num estúdio grande, com outras várias possibilidades. A gente aproveitou bem mais, com tempo tranqüilo pra fazer as coisas e com uma infra um pouco melhor, então rolou bem melhor por causa disso.

Marcelo Machado: Uma coisa no segundo que a gente não teve no primeiro. No primeiro disco a gente simulava muitos sons que a gente gostava, tipo um som de um Rhodes, um piano elétrico, sons variados. E nesse segundo disco a gente teve acesso aos equipamentos originais. A sonoridade no disco é cem por cento melhor quando você grava com os originais. Claro que em show você não pode levar tudo.

Vocês tiveram liberdade de tempo pra testar sons legais?

Marcelo Machado: A gente não teve tanto tempo pra testar tudo, mas pra isso serviu muito a produção do disco, feita por Daniel Ganjaman e Lúcio Maia, dois caras bem experientes nessa história de equipamentos e das possibilidades do estúdio. E isso ajudou muito pra gente, já que não tivemos tanto tempo pra explorar. A gente ficou deslumbrado com um monte de coisa e não sabia como mexer e eles tinham um direcionamento bem direto pra fazer o que a gente queria.

Marcelo Campello: Foi muito bom pra experimentação em teclado, porque eles tinham uma coleção de teclados enorme. Eles tinha diversas guitarras maravilhosas, amplificadores, valvulados antigos, baixo também, uns amplificadores enormes. Principalmente guitarra, teclado e baixo foi muito bom em termos de equipamentos. O estúdio da Trama em Pinheiros que eles tem lá é enorme pra gravar orquestra. E a gente não teve tempo pra explorar as possibilidades desse estúdio. A gente captou tudo close, por questão do prazo.

Marcelo Machado: A captação do estúdio é muito boa, tipo se quisesse gravar uma orquestra, como ele disse...

Marcelo Campello: ...ou se tivesse tempo de experimentar uma captação de uma bateria lá de longe...

Samuel: ...isso vem a longo prazo...

Marcelo Machado: ...até foi usado em várias músicas...

Marcelo Campello: ...dava pra fazer muito mais, mas tranqüilo...

Marcelo Machado: ...é preciso trabalhar com objetividade, e ninguém tinha de sobra pra fazer as coisas, e nesse caso a gente conseguiu fazer pelo menos bastante coisa, porque foi bastante apertado. Duas músicas a gente mixou em outro estúdio pra fazer cem por cento como a gente queria, pra não atropelar.

Como foi essa transição musical do primeiro pro segundo disco? O que vocês tentaram fazer de diferente?

O Rafa: Está mais a cara da banda, é como se as misturinhas de cada influência estivessem mais diluídas e mais sutis. Mais entrelaçada mesmo, o ponto da costura está mais bem feito. Agora você não está mais vendo, tipo aqui tinha uma batida xis, aqui tem isso e aqui tem isso.

Marcelo Campello: Acho que as músicas tem mais cara de canção. Antes elas tinham muito pequenos trechos harmônicos que iam mudando ao longo da música.

Foi falado no papel acentuado do teclado. Alguma influência da jovem guarda?

Marcelo Campello: O Harmond, que é um teclado muito usado na jovem guarda, é um teclado que o Chiquinho gosta de usar, tem influências nos timbres.

E o samba, como é essa influência na música de vocês?

O Rafa: Essa tendência é se distanciar um pouco, na verdade nem é todo mundo que gosta de samba, acho que todo mundo gosta um pouquinho de samba. Como é que é, tu gosta, não sei? Eu posso falar por mim, eu gosto muito de samba...

Marcelo Campello: ...mas não gosta de Cartola, ta ligado? Acho que rolou uma super chupação do samba...

O Rafa: ...gastou muito essa coisa de samba-rock, e hoje em dia a gente quer se afastar desse estilo de samba-rock.

Marcelo Campello: ... mas a nossa referência com samba no primeiro disco vinha muito mais da bossa nova do que de samba propriamente dito. Pela primeira vez a banda está sendo comparada com ela mesma. Muita gente que ouviu o segundo disco parece que querem ouvir novamente o primeiro, e depois começa a assimilar que o segundo também é Mombojó e que há uma evolução natural.

Felipe S.: O bom é que desperta essa curiosidade, quem só ouviu o segundo vai ver como que era o primeiro, então consegue ver como é essa diferença nas composições. É uma coisa bem particular da banda.

Marcelo Campello: A forma de composição da galera também foi mudando. Antigamente um chegava com uma base inteira e outro botava uma letra. Desta vez mais pessoas foram tocando junto e desenvolvendo bases junto durante um ensaio, repetindo várias vezes até chegar uma forma. Uma música que eu acho bem emblemática dentro do processo criativo é “Tempo de Carne e Osso”. Marcelo Machado tinha uma base de quatro acordes, e ele tocava as vezes nos ensaios, e aí gente começou a tocar todo mundo, encaixar uma coisinha nessa base, eu fiz uma melodia no cavaquinho. Aí fechou aquele formato, Felipe botou uma letra. Até a letra e a melodia a gente fez meio que junto, saiu uma mistura de cavaquinho com letra. É muito assim que acontece.

Marcelo Machado: Nossa coerência musical como banda vai melhorando. Nós somos sete e são onze instrumentos. Então cada coisa tem que saber onde entrar e cada vez mais vamos amadurecendo isso.

O Rafa: Acontece bem assim, acho que vou botar peça aqui, aí entra o solo de guitarra, aí a música está de um jeito, então vamos botar uma coisa aqui.

Marcelo Campello: Muitas vezes a gente tem surpresas boas pegando uma coisa do nada e jogando pra ver como fica, aleatoriamente, e fica bom.

O primeiro CD do Mombojó teve duas formas mais eficaz de distribuição: encartada numa revista (Outracoisa) pra ser vendido em bancas por um preço justo e disponibilizado no site da banda em mp3 para download gratuito. Que vantagens vocês notam nesses dois formatos de divulgar música?

Marcelo Campello: Principalmente em internet, que tem se mostrado a estratégia ideal para bandas independentes divulgar o trabalho, pois você não tem limite de prensagem. Uma vez colocando a música na internet ela pode ser reproduzida infinitamente. O que a gente fez foi liberar as músicas pra esse download caseiro, que é uma forma que a lei hoje em dia trata a pirataria, que é a comercialização de cópias ilegais, e esse download caseiro da mesma forma. Quando na verdade é totalmente diferente. Essas leis estão sendo discutidas, em muitos países isso está mudando em algumas áreas, em informática. Desde a experiência da Xérox, nunca mais a população pode voltar atrás com essa coisa da cópia livre. O caminho da música é seguir o exemplo da literatura e da Xérox.

Como a banda tomou conhecimento do Creative Commons?

Marcelo Campello: Tem um grupo lá no Recife que se chama Re:Combo que é super ativista nessa área. A gente...

Marcelo Machado: ... fizemos a capa do CD com um dos membros do grupo e ele nos deu a idéia. E através dele começamos a conhecer o que era o Creative Commons.

Samuel: É bom falar que não é do Recife só a banda. O Re:Combo tem conexão em São Paulo, na Alemanha. Os caras usam um programa que tu pode fazer música, grava uma base, manda pra um doido que é dono de uma banda na Alemanha, manda pra não sei quem, ou seja, é uma banda comunitária mundial, do caralho.

Marcelo Campello: Nessa época logo antes de lançar o primeiro disco a gente tava pensando nessas coisas. Eu tava numa viagem pessoal no meu prédio fazendo uma TV Prédio, que era um canal comunitário de TV e que funcionava dentro do prédio. Aí eu estava me questionando muito essas questões, tipo alugar uma fita e reproduzir para todos os andares. E isso era uma coisa que mexia com direito autoral. Foi onde despertou essas questões de direito autoral. E numa festa conversando com Mabuse, eu expus essas questões pra ele, que me falou: “você já ouviu falar em Copyleft?”. Eu disse não e começamos a conversar. Tudo o que ele falava tinha a ver com que eu acreditava. Esse conceito entrou na banda também.

É possível quantificar a proporção entre o investido e o retorno posterior?

Marcelo Machado: Venda de CDs a gente não tem como dizer se melhorou. A gente crê que com as músicas liberadas na internet as pessoas compraram mais CDs. Nos shows todo mundo dizia “eu tenho as músicas no computador, mas eu tenho o CD também”. E a gente chegou a tocar em alguns lugares porque os contratantes desses lugares ouviram a gente pela internet. Então se o cara de Florianópolis não tivesse ouvido a gente na internet, não teríamos ido tocar em Florianópolis na nossa primeira turnê. E lá vendemos alguns discos, e isso vale pra qualquer outro lugar.

Marcelo Campello: Parece natural que se aponte pro lado do CD em si ir sumindo e virar a coisa da música virtual. Ou a gente lida com essa realidade nova e tenta descobrir novos caminhos pra isso, ou vai fazer que nem as grandes gravadoras que estão aí falindo.

Então não tem escapatória, tem que aceitar a nova realidade...

Marcelo Campello: ... e tentar criar a nova realidade, as soluções não estão aí prontas, a gente está participando do desenvolvimento.

A questão da venda de CDs ficaria em segundo plano?

Marcelo Machado: Acaba sendo uma coisa empírica. A gente colocando as músicas na internet ajudou a aumentar as pessoas que vão aos shows, as pessoas que cantam as músicas. E quem vai aos shows e gosta, compra o CD. E a gente vendo o CD nos shows mais barato do que está nas lojas. Aí uma coisa acaba trazendo outra, e isso vai aumentando, pois na internet se propaga muito fácil. É uma coisa que tem um tempo bem diferente do que pra uma banda de sucesso, tipo uma banda que aparece do nada e vende milhões. Hoje em dia a coisa é diferente, as bandas que vão se firmando e se mantendo é ao longo do tempo que vão crescendo seu público. Tipo Nação Zumbi é uma banda que está há mais de dez anos aí e já plantaram muita semente.

Como vai ser a distribuição do novo CD que desta vez não estará em bancas de revista?

Marcelo Campello: Esse lance da revista foi uma coisa...

Marcelo Machado: ... foi na verdade uma solução pra gente, que só tinha grana pra prensar duas mil cópias pelo que recebemos da Lei de Incentivo a Cultura da Prefeitura de Recife. E duas mil cópias eram muito pouco, seria o número de cópias que a gente poderia dar pra pessoas pra fazer o contato, e pra vender nada. Aí veio o Lobão com essa idéia. Ele prensou 20 mil cópias pelo país todo. Pra gente foi bom pela quantidade de discos que a gente passou a ter depois.

Pra encerrar, gostaria de saber se alguém aqui torce pro Náutico?

Vicente Machado: Eu torço sim.

Porra man, desculpa aí pelo Grêmio ano passado. Hehehe.

(Créditos ao site O Dilúvio)



Dentre tanta porcaria no rock nacional, Mombojó se destaca e traz boas surpresas. Vale muito a pena! Bom para os órfãos dos Los Hermanos (desculpe pela comparação insistente, mas não tem jeito) que acabam de ganhar mais uma banda para ser sua queridinha.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Sempre a mesma coisa..

Silverchair está longe de ser uma das minhas bandas preferidas, bem longe de verdade! Não sei nem o que passou pela minha cabeça em dar uma chance à eles.

O recém-lançado disco Young Modern não escutei. Preferi levar em conta o lado mais comercial de uma banda: o primeiro single do novo álbum.

O disquinho começa com a radio edit da pop "Straight Lines" (a que originou o single), uma faixa que funciona muito bem e promete. Na verdade, cumpre seu papel, diferenciando-se de qualquer trabalho do Silverchair. Logo após tem "All Across The World", bem no estilão melancólico da banda: "you don't seem to care/what i care about and/baby it's a shame (to be wasted)". A terceira faixa do single é a inédita "Sleep All Day", onde finalmente se pode reconhecer a voz fraquinha de Daniel Johns. Para encerrar sem surpresa alguma, um cover ao vivo da esquecida banda Midnight Oil "Don't Wanna Be The One".

Silverchair é tão sem-graça que não tem nada demais pra comentar. É simplesmente música para ouvidos nem tão exigentes.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Renascida das trevas!

Após um jejum de 13 anos, é lançado "Aerial" no fim de 2005.

Esqueça tudo que já ouviu falar de Kate Bush e algum dia possa ter escutado. Tire de sua cabeça “Wuthering Heights” (tá, é impossível mas vale a pena tentar), “Running Up That Hill” (regravada pelo Placebo a um tempo atrás), “Babooshka” e a linda “Army Dreamers”.

O que vale em Aerial é ouví-lo sem preconceito, sabendo que ela não é mais a mesma musicalmente. Kate deixou seus fãs esperando 12 anos desde o lançamento do último álbum de faixas inéditas Red Shoe, datado de 1993. Se afastou dos holofotes, foi mãe e passou a viver uma vida normal sem o estrelismo ao qual estava acostumada no tempo em que seus hits foram lançados e faziam sucesso em rádios do mundo inteiro.

Passado todo esse tempo, eis que surge Aerial, um cd duplo de músicas grandes (principalmente se considerarmos Kate Bush uma cantora pop longe de produzir faixas de 6 minutos) e atmosfera leve. Sua voz continua límpida e calma, praticamente intocável desde seus “anos de glória”. Os discos são dividos em dois sub-títulos: o primeiro A Sea Of Honey e o segundo A Sky Of Honey.

A Sea Of Honey inicia com “King Of The Mountain”, uma faixa que introduz muito bem a nova fase de Kate, seguida de “Pi” uma das melhores do disco. As que mais se assemelham aos trabalhos anteriores da cantora são “How To Be Invisible” e “Mrs. Bartlozzi”. Por fim, tem a chatinha “A Coral Room”, um dueto com o desconhecido Michael Wood. Pode trocar de cd.

A Sky Of Honey tem poucos momentos brilhantes. Mostra muito bem a face ‘ethereal’ na carreira de Bush. Segundo a própria, este disco se baseia no entardecer e em cantos de pássaros. Falando em pássaros, pule direto para “Aerial Trail” em que ela imita sons de pássaros! Pouca coisa chama atenção no disco 2, como a bonita “The Painter’s Link” e “Something In Between” (esta como sendo uma das melhores faixas do álbum todo).

De todo, Aerial não é um disco de fácil audição. Parece chato em algumas faixas, sem ânimo algum e arrastado. Bem daqueles que guardamos lá no fundo do armário entre trilhas sonoras empoeiradas, mas que fazem a felicidade quando o encontramos. É um ótimo fundo musical pra quando se estiver ocupado e vale pra notar como uma cantora aparentemente descartável se tornou uma mulher madura e dona de boas idéias.


quarta-feira, 16 de maio de 2007

O tosco é divertido, pode acreditar.

Confesso: a minha primeira intenção era escrever algo sobre as obras de Woody Allen (quanta ousadia!) ou quem saber conseguir pela primeira vez na vida resenhar uma opinião sincera e madura dos filmes do dinamarquês Lars Von Trier (quanta pretensão!). Não deu certo.

No fim das contas, me chamou atenção o fato - sim, é fato e eu admito - da minha curiosidade extrema por cinema tosco. Não pensem em cinema tosco besteirol americano do estilo "I Still Know What You Did Last Summer" e "Scream".. mas pense na tosqueira pura! O que poderia ser tosco para uma pessoa que cresceu na geração "criados pelo Cine Trash da Band" (éééééé, aqueeele programa diário que exibia filmes 'b' de terror as 15h da tarde)? Praticamente nada né? O cara já viu de tudo.

Será mesmo? Quando você pensa que nada pode ser mais tosco que "Maniac Cop 1, 2 e 3" (o policial que matava), "Killer Klowns From Outer Space" (palhaços assassinos alienígenas que atiravam pipocas, mantinham humanos em bexigas para depois sugá-los com um canudinho), "Braindead" (ou "Fome Animal", clássico master dos filmes de terror estilo 'Gore') e "Vamp - A Noite dos Vampiros" estrelado pela cantora jamaicana Grace Jones.. eis que surgem verdadeiros extremos da tosquice cinematográfica e que, apesar de tudo, rendem muito dinheiro de uma forma ou de outra.

Grande exemplo disso é o underground "A Certain Sacrifice" de 1979. Distribuído no Brasil pela extinta Machine Vídeo em 1985, o filme foi uma experiência com as tão saudosas câmeras super-8 feita por um estudante de cinema na época residente em Nova York, Stephen Jon Lewicki. Stephen anunciou em jornais de grande circulação da "Big Apple" que precisaria de uma atriz morena para um papel forte e sem remuneração alguma. Uma carta enviada diretamente a ele chamou sua atenção. Vinha de uma garota que dizia estar demais interessada no projeto e que estava na cidade a procura de uma chance no ramo da dança, mas que lhe interessaria muito atuar em algum filme. Por pura sorte (financeira no caso) ele de imediato escolheu a moça que tinha lhe escrito para interpretar o papel principal de sua "obra-prima". Mal ele sabia que alguns poucos anos depois essa menina seria amada por milhões de adolescentes querendo se vestir como ela, falar como ela, transar como ela: Madonna. O enredo do filme é por si só uma piada. Bruna (Madonna) é uma garota típica de Nova York que conhece Dashiel (Jeremy Pattnosh), um cara meio revoltado. Dashiel discute em uma lanchonete com o desconhecido Raymond Hall (Charles Kurtz), que vem a estuprar Bruna no banheiro do estabelecimento (se alguém conseguir uma cópia deste filme, note a trilha de fundo na cena do estupro). Dashiel reúne uma turma de punks, góticos e travestis que eram escravos sexuais de Bruna (!!!) para matar Raymond em um ritual de magia negra sob os esgotos nova-iorquinos e, como desfecho da trama, bebem seu sangue. Digno de prêmios né? Toda a história é contada em um ritmo extremamente desconexo, com passagens demoradas e diálogos por vezes sonolentos e sem noção alguma. Vale e muito pra entender de onde vem a péssima atuação de Madonna (pra quem não sabe a cantora sempre foi torturada por críticos de cinema, e não é pra menos). Pra entender o porquê da sorte financeira do diretor Stephen Jon Lewicki, logo após a cantora se tornar famosa travaram uma luta judicial por um tempo. De um lado Madonna tentando impedir o lançamento do filme em vhs e do outro o "olho-gordo" do cara crescendo cada vez mais. Era o fim da "bonita amizade" que os dois tinham, quando em 1985 o mundo conheceu "Um Certo Sacrificio".

Tratemos agora da maior nojeira já vista no cinema mundial: "Fome Animal"!

Filme de cabeceira de muitos adolescentes espinhentos e metidos a amantes de "trash, gore e splatter" (todos gêneros de filmes de terror), incrivelmente esta é uma produção e direção do neozelandês Peter Jackson (o diretor da trilogia "Senhor dos Anéis") que antes de dirigir suas porcarias mainstreans fazia filmes de horror cheios de sangue e tosqueira. "Fome Animal" conta a história de Lionel (Timothy Palme) e sua mãe protetora Vera (Elizabeth Moddy) que, após ser mordida no zoológico da cidade por um macaco da ilha de sumatra, começa a se transformar em um zumbi sedento por sangue. No meio da história encontra-se Paquita (Diana Peñalver), que acredita que Lionel é sua paixão eterna. Segue a linha de "A Noite dos Mortos-Vivos" em que quem for morto por um zumbi também se torna um. É deste clássico a famosa cena em que Lionel usa um cortador de grama para triturar todos os zumbis que estão tomando conta de sua casa, que Paquita bate no liquidificador os braços e a cabeça de um homem e por fim a melhor de todas: a enfermeira McTavish e o Padre McGruder, já zumbis, transam e dão a luz a um endiabrado zumbizinho.

Sem dúvida alguma, naquele ano de 1992, se atingiu o ápice do cinema horror no mundo.

Existem muitos títulos a serem citados (em sua maioria novidades nas locadoras, alguém já reparou na quantidade de filmes 'b' lançados no Brasil em DVD com material de divulgação de excelente qualidade?), muitas e muitas personalidades a serem xingadas e elogiadas, porém só estes dois já são suficientes. De um lado um filme completamente sem gênero (tentando ser erótico, com um toque de suspense porém sem resultado algum), realizado no final da década de 70 com uma super-8 e uma futura estrela pop; do outro o passado comprometedor do diretor de uma super-produção hollywoodiana. É garantia de muita risada, pode acreditar.

Ah, só pra constar: "Fome Animal" finalmente foi lançado no Brasil em DVD pela London Filmes naquelas edições porcas de banca de revistas a R$9,99. Claro, já comprei o meu.

terça-feira, 15 de maio de 2007

A idade as vezes pesa. E muito!

Já ouviu dizer por aí que quanto mais alguém envelhece, melhor fica (tenebrosa comparação ao whisky)?
Posso provar o contrário? Então ouça o antológico e eterno The Idiot de Iggy Pop, um dos pais da maluquice.

Logo após o fim da banda The Stooges, a qual Iggy era o vocalista, ele encontrava-se novamente viciado em heroína e sem esperanças alguma de algum dia retomar o sucesso que Raw Power e Fun House tiveram. Ninguém prestava atenção neste ser estranho que Iggy Pop já era naquela época (estamos falando de meados da década de 1970!), quando apareceu em seu caminho um fã confesso: David Bowie. Nos mesmos anos Bowie vivia o estrelato intenso com o álbum Young Americans conjuntamente com a tragédia que seria seu vício em cocaína.

Pouco tempo depois Iggy integrou a turnê de Bowie do álbum como convidado especial e foi levado para a casa do amigo em Vevey, na Suíça, para compôr músicas para um futuro disco. Após, David conseguiu um contrato de três discos para Iggy, sendo renovável por mais tempo no caso dele se sair bem. Foi aí que em 77 (mais precisamente em março) era lançado The Idiot.

São claras as referências a David Bowie neste álbum, até porque ele é produtor e compositor do trabalho. Alguns anos depois, Bowie utilizou a faixa "China Girl" em seu disco entitulado Let's Dance (um dos melhores de sua carreira), o qual seria um de seus maiores hits. Destaque para as excelentes "Sister Midnight" (a primeira faixa do álbum), o fundo de boteco barato "Nightclubbing" e "Mass Production".

O tempo ainda guardava alguns imprevistos e surpresas ótimas para a dupla. Pouco tempo após o lançamento de The Idiot, a imprensa descobriu a "extrema generosidade" de Bowie para com Pop. Maldaram de todos os jeitos, chamando Iggy de "menininho de Bowie", o que lhe causou certo desconforto. Bowie se explicou: "Eu queria que Iggy voltasse a ter os holofotes devidos e por isso concordei em ajudá-lo em sua volta", e Iggy reforçou: "Ele me ajudou demais, cobrindo os custos iniciais da excursão e me ajudando a montar um show. Foi um pouco chato quando começou todo falatório por ele ser apenas o tecladista, mas o que eu poderia fazer? Ele é uma estrela e quis apenas me ajudar. Não tenho queixas".

Brinquedo ou não de David, no mesmo ano a dupla lançou o ótimo Lust For Life. Aguns dizem ser o fim da boa fase na carreira do desengonçado Iggy por se tratar do último disco seu a ser produzido por Bowie, tendo que se virar sozinho em Kill City também de 1977.

O resto da discografia de Iggy é completamnte descartável. Realmente vale o registro somento aos primeiros dois álbuns que tornaram-se ícones do rock mundial.

A idade para Iggy Pop não fez bem, na verdade.. não fez nada bem! A única maneira que o vemos por suas apresentações ao vivo é se babando de cerveja, vestindo uma calça que mal cabe em uma mulher anoréxica, sem blusa e balbuciando alguma coisa estúpida que ele acha estar cantando. Volta pro Bowie, Iggy!

As bonecas de Tori Amos..

2007 promete ser um dos melhores anos no que concerne a lançamentos de grandes artistas. Depois de lançar em 2004 o ofuscado The Beekeeper (com a tradicional versão bônus com dvd extra que fazem a alegria de fãs e admiradores fervorosos de Tori Amos), a canadense deu um tempo com as letras pessoais demais e aposta num disco conceitual.

Tori criou 5 personagens para compôr o disco: Isabel (uma fotógrafa e ativista), Clyde (frágil idealista), Santa (apaixonada e sensual), Pip (uma guerreira) e por último Tori (uma caricatura da cantora). Todas elas foram apresentadas aos fãs através de blogs na internet (!).

American Doll Posse traz uma Tori diferente, sem o abuso de seu tradicional piano e voz cansada cantando letras auto-biográficas. Na verdade, desde o antecessor The Beekeeper a dramática pianista vem apostando numa alegria maior em sua música.

Faixas como "Boucing Off Clouds", "Secret Spell" e "Velvet Revolution" merecem ser ouvidas mais vezes. Daquelas que sempre estarão no playlist do teu carro (coisa impossível de acontecer com boa parte da carreira de Tori Amos, que apesar de ter em seu currículo alguns dos álbuns mais indispensáveis a uma discoteca, poucas vezes consegue cativar extremamente o ouvinte a levar sua música além de quatro paredes).

Como sempre, o disco sai em duas versões, uma com dvd contendo clipe, bastidores de gravação e material inédito; e outra simples somente com o cd. Muitos dos discos de Tori são lançados pela BMG desta maneira.

Lançado mundialmente em 1º de maio deste ano, é com certeza um disco que marcará a nova fase na carreira de Tori Amos. Uma fase política e mais fácil de agradar.



segunda-feira, 14 de maio de 2007

Volta - a tão esperada volta de Björk.

Capa de "Volta" com a cantora vestindo uma escultura feita por artista plástico francês.


Björk prometeu com Volta fazer as pazes com os simpatizantes de uma música menos experimental - afinal ninguém agüentava tanta "irreverência" e "originalidade" apresentadas em discos em que se predominam a voz humana (como em Médulla de 2004, siim.. no disco inteiro não existiam instrumentos, somente vozes) e faixas enormemente chatas e com cara de trilha sonora de enterro (falamos de Drawing Restraint 9, trilha do filme homônimo dirigido por seu atual marido Matthew Barney e estrelado por ela).

Houve até mesmo quem apostasse que, com a participação do produtor Timbaland (o mesmo de Nelly Furtado) a islandêsa se voltasse um pouco para o hip hop. (N.R: alguém botou fé num absurdo desse?)

Apesar de Björk ter um gosto musical extremamente voltado para o pop e mainstream, afinal a musa é fã assumida de Michael Jackson e ABBA, Volta não veio tão simples assim. Manteve um pouco da atmosfera estranhíssima da trilha de Drawing Restraint 9 nas faixas "Vertabra by Vertabrae" e "Pneumonia", trouxe de volta o tom alegre e rítmico daqueles tempos de "Human Behaviour" no primeiro single do disco "Earth Intruders" e cantarolou feliz por entre arranjos de instrumentos de sopro lembrando um pouco Vespertine em "Wanderlust".

Tem até espaço para rebeldia em "Declare Independence" em que a baixinha berra em versos cheios de atitude: "Declare independence, don't let then do that to you!".

No todo, Volta cumpre seu papel. Trouxe uma Björk mais pop, digestiva e divertida. O disco têm seus pontos fracos ofuscados por muita qualidade.

Por falar nisso, os shows da turnê do álbum são um capítulo a parte. Björk roubou a cena no Festival Coachella deste ano no deserto de Indio, na California.

Ouça uma vez e estranhe. Dê esta chance à Björk. Ela merece.

Pode baixar o vídeo de "Earth Intruders" aqui (rapidshare).