quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Estilo cabelinho raspado não muda jamais.


A calmaria de Sinead O'connor é algo que até agora eu não consegui entender muito bem. Não consegui absorver ou apreciar, na verdade.

A primeira impressão soa estranha ao se ter notícia de que a irlandesa não mais se dedicou ao pop rasgado, mas dessa vez soltou um álbum duplo de salmos (!), logo ela que já teve sérios problemas com o cristianismo ao rasgar ao vivo no Saturday Night Live de 92 uma foto do papa João Paulo II, o apontando como o real inimigo do mundo, agora iria posar de cantora cristã. Logo aquela moça que nunca vimos com um fio de cabelo na cabeça - a não ser quando usou uma peruca no clipe de "No Man's Woman"), cujas performances são fortes e tão frágeis ao mesmo tempo (devido sua timidez). Tudo
bem que Sinead nunca foi um sinônimo íntegro de rebeldia até por que hoje em dia ela já é mãe de quatro filhos - todos de pais distintos - e em entrevistas recentes só tem falado de seu disco pacífico e que pensa em continuar escrevendo músicas para corais, porém se espera algo mais de alguém que causou tanta polêmica anos atrás. Já havia anunciado algumas vezes o final de sua carreira sem cumprir nenhuma delas com a palavra lançando discos logo após. Desta vez não foi diferente: lançou dvd ao vivo se despedindo, mas dois anos depois lança um álbum de reggae com composições de Bob Marley e Peter Tosh, e logo em seguida, passado um ano somente, reaparece com este Theology em 2007.

Não se pode ver neste último trabalho de Sinead o ponto alto de rebeldia em sua carreira, jamais! Um disco duplo com salmos e composições próprias, além de covers de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber, sendo gravado parte em Dublin (disco acústico entitulado "Dublin Sessions") e em Londres (disco elétrico "London Sessions"); sendo produzido pela própria Sinead ao lado de Steven Cooney e Ron Tom. Desconsidere completamente o primeiro disco inteiro: extramamente cansativo e pretencioso. London Sessions (que conta com praticamente as mesmas músicas do disco acústico em versões elétricas, longe do chato "voz e violão" do primeiro) é mais intenso e energético, que acaba combinando mais com a voz de Sinead. Destaque para o pop rasgado em "Psalm 33" e "We People Who Are Darker Than Blue" na versão do segundo disco.

Atualmente a cantora está em turnê na europa para divulgação do disco, soltando declarações cristãs como esta: "Há muitas coisas belas na religião, é que há alguns fanáticos que a interpretam de maneira incorreta. O Islamismo, em sua essência, é uma religião muito bonita”, disse. “Há um grupo pequeno de fanáticos difamando-a. O mesmo acontece nos EUA, com pessoas como George Bush difamando o Cristianismo. No final das contas, quem fica com má fama é Deus, e eu não concordo com isso.”


Aparentando uma idade avançada com sinais de cabelos grisalhos pela cabeça, a cantora de 41 anos mostra que ainda vai durar um bom tempo musicalmente falando. Ainda terá muita energia, é uma irlandesa forte e rebelde a sua maneira. Pode vir Sinead, estaremos esperando. Só não pode deixar o carro-forte de sua música de lado, o pop.