quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O melhor do Britpop


Nem Blur nem muito menos Oasis: o melhor do Britpop foi de longe o Suede.


Grupo formado por Brett Anderson (cantor e compositor do Suede) interromperam suas atividades em 2003. Não parando de fazer música até agora, Anderson lançou logo em 2004 junto ao primeiro guitarrista da banda – Bernard Butler – o primeiro álbum de seu projeto The Tears além de dois discos solo (“Brett Anderson” de 2007 e “Wilderness” de 2008).


Ao longo de 10 anos de banda, 5 discos de estúdio e uma coletânea, a fantástica Singles, o Suede fincou seu nome como precursor de um dos gêneros mais interessantes da música no início da década de 90. Justine Frischmann à época era namorada de Brett, mesmo tempo em que se tornou o vocal à frente do grupo Elástica logo após deixar o Suede em 91, cuja sonoridade seguia a mesma linha com um toque mais pesado de guitarras. Justine e sua trupe não conseguiram tanto êxito e acabaram se tornando “banda de um hit só” com “Connection” estourando em 1994 nas rádios do mundo inteiro. Pouco se ouviu falar no Elastica após isso. Já Brett acertou disco após disco, mantendo o bom gosto em tudo.


Singles consegue resumir um pouco disso tudo ao ouvinte: indo de baladas mela-cueca com cara de Duran Duran a exemplo de “Everything Will Flow” ao pop rasgado de “Attitude”, passando pelo ápice do grupo com “The Beautiful Ones”. Sucessos como “Animal Nitrate” não poderiam ser deixados de lado. Uma coletânea homogênea, construída levando em conta o que realmente de melhor a banda fez nesse tempo curto em que estiveram por aí. Deixaram ao público um legado de belas e únicas faixas de puro Britpop sem vergonha alguma do rótulo. Foram os melhores do gênero, com certeza.

sábado, 24 de outubro de 2009

Submissos à experimentação

De volta, o grupo não abandona a fórmula que deu certo

Sem fazer alarde e com pouca promoção, os apreciados Flaming Lips chegam com seu 12º álbum de estúdio intitulado Embryonic.


Contando com retornos às sonoridades antigas (a exemplo de “Evil”, terceira faixa do disco que mais parece ter saído de “Yoshimi Battles The Pink Robots” de 2002), letras inspiradas por temas de submissão e violência trazidas pelo gosto dos caras por filmes como “The Night Porter” (O Porteiro da Noite, no Brasil) da italiana Liliana Cavani; não deixaram a peteca cair e nem perderam sua identidade conquistada após tantos erros de início de discografia. Acertando álbum após álbum, com Embryonic não é diferente. A mistureba é fantástica, única e a cara dos Flaming como podemos ver em faixas como “Aquarius Sabotage” (uma das criações advindas de freak-out jams que o grupo faz, todas apelidadas por signos astrológicos) e “If” (segundo Wayne Coyne, uma resposta à “Evil” cantada por Steven Drozd, o baterista do grupo).


Primeiro disco duplo da banda, segundo Wayne declarou em entrevista recente à revista Billboard, foi a melhor forma escolhida para resolver o dilema da escolha entre o que permanece no álbum e o que se transforma em b-side e completa: “Alguns dos meus discos favoritos, como o White Album dos Beatles, o Physical Grafitti do Led Zeppelin e mesmo algumas coisas mais longas que o Clash fez, parte da razão para gostar deles é que não são focados, eles são livres".Pode-se considerar este como o disco mais “a vontade” dos caras, o som dos Flaming Lips tocado pela primeira vez sem o apelo comercial significativo (salvador da pátria do grupo, diga-se de passagem) de álbuns como “Yoshimi...” e “At War With The Mystics” misturado com profunda experimentação - característica fundamental desses americanos.


Destaque para “I Can Be A Frog” em que Karen O (do Yeah Yeah Yeahs) faz participação especial dando voz ao que Wayne afirma poder ser.


Fantástico!

domingo, 11 de outubro de 2009

Moby Entristece

Estamos em 11 de outubro e, até agora ao que tudo indica, já elegi meu favorito de 2009 com uma facilidade incrível. Moby e seu Wait For me, lançado em junho deste ano, ganham essa íntima disputa com sua atmosfera calma e por vezes sombria, sem deixar espaço para o lado arroaceiro do músico, o qual tanto havia se dedicado esse tempo todo.

Na bela mistura de ritmos negros com arranjos clássicos e eletrônicos de tirar o fôlego, o novaiorquino Moby (Richard Hall na vida real) reaparece em sua melhor forma desde “Play” de 99. A segunda faixa intitulada “Pale Horses” é uma amostra importante do que vem a frente: deixou de lado a pegada pop sem vida a qual já havia se habituado em lançamentos nem tão convincentes assim (a exemplo de “Last Nite” em 2008 e “Hotel” em 2005, todos álbuns festivos), para se dedicar ao que mais lhe cai bem, a mistura de sons étnicos aos computadorizados sem deixar de lado os vocais femininos e as excentricidades como em “Study War” – quarta faixa do álbum, um belíssimo discurso negro musicado.

Tudo em Wait For Me soa íntimo, fácil e extremamente bem cuidado. Nunca Moby soou tão verdadeiro em sua música, transparecendo o que acredita realmente ser qualidade em termos de música. O cara se descortinou pela produção de Ken Thomas do Sigur Rós, além de contar com a sua própria. Contou com a inspiração de um discurso do cineasta e escritor fantástico David Lynch, onde ele tratava da criatividade e os efeitos trazidos pela pressão negativa e positiva do mercado em geral. Entraram em contato e Lynch foi responsável pela direção do clipe do primeiro single do álbum “Shot In The Back Of The Head”.

Produção de um Sigur Rós, inspiração em David Lynch... Imagina-se uma obra-prima, certo? Certíssimo!

sábado, 10 de outubro de 2009

A Rainha Adolescente

Dunst vive a rainha adolescente Marie Antoniette em filme de Copolla

Filha do renomado (também diretor de filmes) Francis Ford, Sofia Copolla é uma estrela em ascensão recente. Surgindo em 1999 com seu primeiro longa “As Virgens Suicidas”, Sofia gosta de contar histórias na telona com um requinte único, estética interessante; exprimindo o máximo dos atores com quem trabalha.

Após transformar meras meninas de “baile de primavera americano” em verdadeiros objetos de desejo e mistério, Sofia retorna em 2006 em trabalho com a linda Kirsten Dunst - uma das protagonistas de seu primeiro longa-metragem – a transformando na rainha adolescente Maria Antonieta.

Enviada de seu país de origem (Áustria) para se casar com Príncipe Luis XVI na França, Maria Antonieta vê seu mundo virar de cabeça para baixo quando mergulhada em um mundo de fofocas, inveja, requintes excessivos e burocracias em exagero. Sua maior missão é fazer com que seu casamento arranjado se consuma a fim de selar o acordo de amizade entre os países, tendo em vista Luis XVI não parecer tão encantado com a idéia de ter uma esposa.

O filme impressiona pela riqueza extrema de detalhes: uma estética incrível que conta com espetaculares figurinos de época em, azul e rosa(ganhador de 1 Oscar nesta categoria em 2007) e uma produção absurdamente convincente aliada a uma trilha sonora moderna com The Cure, Aphex Twin, Squarepusher e Air. Vivendo a rainha austríaca, Marianne Faithfull está perfeita.
Um filme que impressiona pela produção caprichosa, dando ares modernos e divertidos a uma história antiga e antiquada.