sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Frutos da Islândia

A islândia tem uma incrível tendência a lançar sons magníficos para o mundo, de Sugarcubes (esqueçamos a maior de todos os islandêses por um instante somente) a Múm, de Gus Gus a Ghostigital liderado pelo irreverente Einar Örn; mas nenhum deles possui uma atmosfera tão única e linda quanto o Sigur Rós.

O marco zero da banda tem origem em mais ou menos agosto de 1994 na capital da gélida Islândia, Reykjavík, quando três nativos (Jón Þór “Jónsi” Birgisson, Georg Hólm e Ágúst Ævar Gunnarsson) decidem utilizar o nome da irmã de um deles para montar uma banda (Sigurrós significa “rosa da vitória” e é o nome da irmã de Jonsi que nasceu naquele mesmo mês, mais precisamente no mesmo dia em que a banda foi fundada). Em 97, após já terem firmado acordo com o selo Bad Taste (famoso por lançar todas as melhores bandinhas do local) lançam o cd Von e logo em seguida no ano seguinte a coletânea Von Brigði.

Em 1999 sai um dos mais belos trabalhos da banda, Ágætis Byrjun (que em islandês significa “um bom começo”) já com um novo membro na banda, Kjartan Sveinsson. Foi o disco que trouxe reconhecimento internacional ao grupo e o fez queridinho da crítica pelos dois anos seguintes, sendo até honrado como um dos melhores álbuns de todos os tempos e não é para menos, afinal a sonoridade de Ágætis Byrjun, o clima, enfim tudo é perfeito! É neste disco que estão as pérolas “Svefn-G-Englar”, “Vidrar Vel Til Loftarasa” (famosa pelo polêmico vídeo-clipe dos meninos se beijando e brincando de boneca) e a faixa-título do álbum. Várias faixas deste disco fizeram parte de trilha sonora de filmes como Vanilla Sky e seriados como 24 Hours. A formação da banda já não era mais a mesma por conta da substituição na bateria por Orri Páll Dýrason.
3 anos após o lançamento de Ágætis Byrjun, sai o diferente ( ) (este é o título do disco) cuja idéia principal era fazer com que os fãs batizassem as músicas como bem entendem. O disco não possui título nem nenhuma das músicas e foi todo composto em Vonlenksa, uma lingua inventada por Jónsi. Os islandêses possuem essa mania de inventar linguas e fonemas, Björk utiliza muitas palavras e sons improvisados em suas músicas, tal como Elizabeth Fraser do Cocteau Twins fazia. Após algum tempo, a banda entitulou as faixas em seu website. Há também um encarte todo em branco onde o ouvinte deveria escrever as letras das músicas como as entendesse (afinal de contas a lingua em que foram compostas não existe).


( ) o disco sem título e sem faixas do grupo


2003 foi o ano de uma parceria inusitada: o grupo juntou-se ao Radiohead para compôr a trilha de um espetáculo chamado “Split Sides”, sendo três músicas resultado dessa parceria incluídas no EP Ba Ba Ti Ki Di Do, tendo lançamento oficial em março de 2004.

Apresentando uma atmosfera misturada entre o primeiro e o segundo álbum do grupo, surge em 13 de setembro de 2005 o disco Takk... (“obrigado” em islandês). O hit “Hoppípolla” foi demais usado pela BBC em suas vinhetas e programas especiais sobre meio-ambiente, tornando-se uma das músicas mais conhecidas do grupo e alavancando as vendas de discos alcançando o marco de 2 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro. De fato, esta pode ser destacada como o maior êxito do Sigur Rós, não somente por ter sido responsável pelo reconhecimento da banda pelo grande público, mas por ser uma música intensa e mágica. Destaca-se também “Sé Lest” (N.R: a melhor música já feita pelo grupo). Em 2006 o lançamento do EP Sæglópur foi abafado pelo sucesso repentino e ensurdecedor de “Hoppípolla”, tendo sido adiado para a metade do mesmo ano. O EP conta com três faixas: “Refur”, “Ó Fridur” e “Kafan”. Em julho o grupo encerra sua turnê mundial que resultará nas imagens para um futuro DVD, até agora sem data para lançamento.

O mundo aguarda material novo desta banda tão única, afinal de contas tudo que eles fazem é magnífico e incomparável. Talvez seja a única banda da Islândia que conseguiu fugir da asa de Björk. Site oficial

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