Resenhar a obra de Chan Marshall é um pouco dificil. É dona de momentos brilhantes e outros foscos e sem-graça beirando a chatice. Marshall é a mulher a frente do grupo Cat Power (diga-se de passagem, grupo de uma integrante somente). É instrumentista, compositora e cantora. Nada mau se não fosse tão intimista assim.

Sua história não é tão curiosa assim. Nasceu em Atlanta nos Estados Unidos no ano de 1972, largou os estudos aos 17 anos e foi a New York em busca de algo melhor. Em 94 abria shows para Liz Phair (outro ícone da múysica alternativa feminina) quando Steve Shelley (baterista do Sonic Youth) e Tim Foljahn do Two Dollar Guitars a convidaram para gravar dois discos, um pelo selo italiano Runt (Dear Sir do mesmo ano) e Smells Like Records (Myra Lee de 95). Apesar de haver um ano inteiro que separa seus lançamentos, ambos foram gravados no mesmo dia.
Em 1996, Cat Power lança What Would The Community Think? agora pelo grande selo Matador Records. Sem surpresa alguma e com poucos momentos cantarolantes ("Taking People" é o o ápice do disco), pouco chamou atenção da mídia em geral. Nele é tudo muito repetitivo, monótono e igual; essa fórmula jamais seria banida dos discos posteriores que, diga-se de passagem, todos eles possuem um pequeno resquício de What Would The Community Think?, porém sem exageros, maior empolgação e muito mais musicalidade. Muito 'lo-fi' irrita.
Dois anos se passaram e surge o grande Moon Pix em 1998. Desta vez Chan acerta em cheio a fórmula da tristeza junto a musicalidade e beleza. Deixou de lado a palidez e construiu lindas canções como "Cross Bone Style" (que tem aquele clipe famoso na MTV Brasil em que ela aparece de unhas pintadas de amarelo, com dançarinos em um cenário de fundo branco), "American Flag" (que abre brilhantemente o cd) e a balada "Metal Heart". Um dos melhores, se não for o melhor trabalho de Cat Power.
Em mais um intervalo de dois anos, surge com The Covers Record, como o próprio titulo deixa claro, um álbum de covers de músicas consagradas como "(I Can't Get No) Satisfaction" dos Rolling Stones e "Wild Is The Wind" de Nina Simone. Extremamente superestimado por fãs e simpatizantes da cantora, eu particularmente ponho The Covers Record no ranking dos piores de Cat Power. Dono de um clima arrastado e sem animação alguma, pode deixar este cd enpoeirando laaaaa no fundo da sua discoteca. Uma boa amostra dessa chatice toda foram os shows que Chan fez no Brasil para divulgação de The Covers Record, onde ela por pouco não conseguia cantar de tão bêbada que estava. Decepção para muitos, alegria de ver sua diva chapadona para outros (mesmo esquecendo letras, chamando palavrões gratuitamente e arrotando alopradamente) a turnê passou por São Paulo (contando com um pocket show na Loja Fnac), Rio de Janeiro, Porto Alegre (com abertura do grupo local Os The Darma Lovers) e Curitiba. Poucos veículos de comunicação brasileiros cubriram os shows, afinal ela faz questão em manter a pose undergorund, fazendo declarações neste estilo: “Detesto quando as pessoas aplaudem. Eu odeio quando tenho que parar a música, as pessoas aplaudem, então tenho que dizer ‘obrigada’ e começar de novo. O ato de aplaudir é estranho para mim, literalmente”. Para delírio dos admiradores, os ingressos dos shows em todas essas capitais iam de R$7,50 a R$20,00, afinal Chan veio sozinha ao país fazendo um show mais barato.
Somente no ano de 2003 lançou um álbum com faixas inéditas, recrutando gente de peso como Eddie Vedder e Dave Ghrol para participar de You Are Free. Este é por muitos considerado o trabalho mais rock de Chan, prova disso é o maior hit de sua carreira "He War" (6ª faixa do disco), que apresenta uma faceta um pouco diferente de Chan. O clipe desta faixa é tão bom e poderoso quanto a música. Excelente!
2006 é o ano de The Greatest ser lançado, até agora eleito pela crítica especializada o melhor álbum da carreira de Cat Power. Destaque para as excelentes "Love and Communication" e "Lived In Bars".
Atualmente, cinco dos trabalhos lançados pela Matador (incluindo The Greatest) estão disponíveis no Brasil pela Trama. Vale bastante a pena conhecer o que tem de melhor na carreira da rainha da tristeza alternativa.

Sua história não é tão curiosa assim. Nasceu em Atlanta nos Estados Unidos no ano de 1972, largou os estudos aos 17 anos e foi a New York em busca de algo melhor. Em 94 abria shows para Liz Phair (outro ícone da múysica alternativa feminina) quando Steve Shelley (baterista do Sonic Youth) e Tim Foljahn do Two Dollar Guitars a convidaram para gravar dois discos, um pelo selo italiano Runt (Dear Sir do mesmo ano) e Smells Like Records (Myra Lee de 95). Apesar de haver um ano inteiro que separa seus lançamentos, ambos foram gravados no mesmo dia.
Em 1996, Cat Power lança What Would The Community Think? agora pelo grande selo Matador Records. Sem surpresa alguma e com poucos momentos cantarolantes ("Taking People" é o o ápice do disco), pouco chamou atenção da mídia em geral. Nele é tudo muito repetitivo, monótono e igual; essa fórmula jamais seria banida dos discos posteriores que, diga-se de passagem, todos eles possuem um pequeno resquício de What Would The Community Think?, porém sem exageros, maior empolgação e muito mais musicalidade. Muito 'lo-fi' irrita.
Dois anos se passaram e surge o grande Moon Pix em 1998. Desta vez Chan acerta em cheio a fórmula da tristeza junto a musicalidade e beleza. Deixou de lado a palidez e construiu lindas canções como "Cross Bone Style" (que tem aquele clipe famoso na MTV Brasil em que ela aparece de unhas pintadas de amarelo, com dançarinos em um cenário de fundo branco), "American Flag" (que abre brilhantemente o cd) e a balada "Metal Heart". Um dos melhores, se não for o melhor trabalho de Cat Power.
Em mais um intervalo de dois anos, surge com The Covers Record, como o próprio titulo deixa claro, um álbum de covers de músicas consagradas como "(I Can't Get No) Satisfaction" dos Rolling Stones e "Wild Is The Wind" de Nina Simone. Extremamente superestimado por fãs e simpatizantes da cantora, eu particularmente ponho The Covers Record no ranking dos piores de Cat Power. Dono de um clima arrastado e sem animação alguma, pode deixar este cd enpoeirando laaaaa no fundo da sua discoteca. Uma boa amostra dessa chatice toda foram os shows que Chan fez no Brasil para divulgação de The Covers Record, onde ela por pouco não conseguia cantar de tão bêbada que estava. Decepção para muitos, alegria de ver sua diva chapadona para outros (mesmo esquecendo letras, chamando palavrões gratuitamente e arrotando alopradamente) a turnê passou por São Paulo (contando com um pocket show na Loja Fnac), Rio de Janeiro, Porto Alegre (com abertura do grupo local Os The Darma Lovers) e Curitiba. Poucos veículos de comunicação brasileiros cubriram os shows, afinal ela faz questão em manter a pose undergorund, fazendo declarações neste estilo: “Detesto quando as pessoas aplaudem. Eu odeio quando tenho que parar a música, as pessoas aplaudem, então tenho que dizer ‘obrigada’ e começar de novo. O ato de aplaudir é estranho para mim, literalmente”. Para delírio dos admiradores, os ingressos dos shows em todas essas capitais iam de R$7,50 a R$20,00, afinal Chan veio sozinha ao país fazendo um show mais barato.
Somente no ano de 2003 lançou um álbum com faixas inéditas, recrutando gente de peso como Eddie Vedder e Dave Ghrol para participar de You Are Free. Este é por muitos considerado o trabalho mais rock de Chan, prova disso é o maior hit de sua carreira "He War" (6ª faixa do disco), que apresenta uma faceta um pouco diferente de Chan. O clipe desta faixa é tão bom e poderoso quanto a música. Excelente!2006 é o ano de The Greatest ser lançado, até agora eleito pela crítica especializada o melhor álbum da carreira de Cat Power. Destaque para as excelentes "Love and Communication" e "Lived In Bars".


Nenhum comentário:
Postar um comentário