quinta-feira, 24 de maio de 2007

Pernambuco como sempre rendendo no rock nacional

Os pernambucanos do Mombojó em foto de divulgação .


O mais próximo que uma banda pode chegar de Los Hermanos é Mombojó. Esta banda pernambucana despretenciosa e simples de curtir foi uma das grandes apostas nestes últimos anos. No quesito "surpresa" a banda formada por Felipe S (vocal e responsável por rande parte das letras da banda), Marcelo Campello (violão, cavaquinho e escaleta), Marcelo Machado (guitarra), Rafael (flauta), Samuel (baixo), Vicente Machado (bateria) e Chiquinho (teclado e sampler) acaba deixando na vontade.

O primeiro disco da banda entitulado Nadadenovo apresenta uma atmosfera bossa-nova moderna em faixas como "Deixe-se Acreditar" e "Nem Parece" dando uma voltinha no rock mais pesado em "A Missa". Nadadenovo foi lançado no ano de 2004 através da revista Outracoisa (cujo dono é Lobão) em uma tiragem de 20 mil cópias. Pouco depois disponibilizou ambos os discos para download no siteoficial. Há quem compare a sonoridade deste album aos fantásticos Stereolab, mas aí já é um pouco exagerado. Como bons brasileiros que são, não deixam a peteca da brasilidade cair nunca. Na 7ª faixa nota-se a enorme influência de Jorge Ben no som dos caras ("O Céu, o Sol e o Mar").

Já o segundo álbum Homem-Espuma se diferencia um pouco do primeiro pro ter sido gravado em um estúdio maior fora de Recife (em São Paulo). Quanto a sonoridade houve uma grande mudança na calmaria em relação ao primeiro disco, dessa vez Mombojó abusa um pouco mais do rock, sem deixar de lado os tecladinhos estilosos que dão um ar retrô à banda. Grande destaque para a música titulo do cd, "Realismo Convincente" e a funk (?) "Pára-Quedas".

Aqui uma entrevista cedida pelos caras ao site O Dilúvio após o lançamento de Homem-Espuma:

E o Homem Espuma?

Samuel: Foi uma experiência nova, porque o Nadadenovo a gente gravou tudo lá no Recife, com nossos amigos, e o Homem Espuma não, já foi em São Paulo, num estúdio grande, com outras várias possibilidades. A gente aproveitou bem mais, com tempo tranqüilo pra fazer as coisas e com uma infra um pouco melhor, então rolou bem melhor por causa disso.

Marcelo Machado: Uma coisa no segundo que a gente não teve no primeiro. No primeiro disco a gente simulava muitos sons que a gente gostava, tipo um som de um Rhodes, um piano elétrico, sons variados. E nesse segundo disco a gente teve acesso aos equipamentos originais. A sonoridade no disco é cem por cento melhor quando você grava com os originais. Claro que em show você não pode levar tudo.

Vocês tiveram liberdade de tempo pra testar sons legais?

Marcelo Machado: A gente não teve tanto tempo pra testar tudo, mas pra isso serviu muito a produção do disco, feita por Daniel Ganjaman e Lúcio Maia, dois caras bem experientes nessa história de equipamentos e das possibilidades do estúdio. E isso ajudou muito pra gente, já que não tivemos tanto tempo pra explorar. A gente ficou deslumbrado com um monte de coisa e não sabia como mexer e eles tinham um direcionamento bem direto pra fazer o que a gente queria.

Marcelo Campello: Foi muito bom pra experimentação em teclado, porque eles tinham uma coleção de teclados enorme. Eles tinha diversas guitarras maravilhosas, amplificadores, valvulados antigos, baixo também, uns amplificadores enormes. Principalmente guitarra, teclado e baixo foi muito bom em termos de equipamentos. O estúdio da Trama em Pinheiros que eles tem lá é enorme pra gravar orquestra. E a gente não teve tempo pra explorar as possibilidades desse estúdio. A gente captou tudo close, por questão do prazo.

Marcelo Machado: A captação do estúdio é muito boa, tipo se quisesse gravar uma orquestra, como ele disse...

Marcelo Campello: ...ou se tivesse tempo de experimentar uma captação de uma bateria lá de longe...

Samuel: ...isso vem a longo prazo...

Marcelo Machado: ...até foi usado em várias músicas...

Marcelo Campello: ...dava pra fazer muito mais, mas tranqüilo...

Marcelo Machado: ...é preciso trabalhar com objetividade, e ninguém tinha de sobra pra fazer as coisas, e nesse caso a gente conseguiu fazer pelo menos bastante coisa, porque foi bastante apertado. Duas músicas a gente mixou em outro estúdio pra fazer cem por cento como a gente queria, pra não atropelar.

Como foi essa transição musical do primeiro pro segundo disco? O que vocês tentaram fazer de diferente?

O Rafa: Está mais a cara da banda, é como se as misturinhas de cada influência estivessem mais diluídas e mais sutis. Mais entrelaçada mesmo, o ponto da costura está mais bem feito. Agora você não está mais vendo, tipo aqui tinha uma batida xis, aqui tem isso e aqui tem isso.

Marcelo Campello: Acho que as músicas tem mais cara de canção. Antes elas tinham muito pequenos trechos harmônicos que iam mudando ao longo da música.

Foi falado no papel acentuado do teclado. Alguma influência da jovem guarda?

Marcelo Campello: O Harmond, que é um teclado muito usado na jovem guarda, é um teclado que o Chiquinho gosta de usar, tem influências nos timbres.

E o samba, como é essa influência na música de vocês?

O Rafa: Essa tendência é se distanciar um pouco, na verdade nem é todo mundo que gosta de samba, acho que todo mundo gosta um pouquinho de samba. Como é que é, tu gosta, não sei? Eu posso falar por mim, eu gosto muito de samba...

Marcelo Campello: ...mas não gosta de Cartola, ta ligado? Acho que rolou uma super chupação do samba...

O Rafa: ...gastou muito essa coisa de samba-rock, e hoje em dia a gente quer se afastar desse estilo de samba-rock.

Marcelo Campello: ... mas a nossa referência com samba no primeiro disco vinha muito mais da bossa nova do que de samba propriamente dito. Pela primeira vez a banda está sendo comparada com ela mesma. Muita gente que ouviu o segundo disco parece que querem ouvir novamente o primeiro, e depois começa a assimilar que o segundo também é Mombojó e que há uma evolução natural.

Felipe S.: O bom é que desperta essa curiosidade, quem só ouviu o segundo vai ver como que era o primeiro, então consegue ver como é essa diferença nas composições. É uma coisa bem particular da banda.

Marcelo Campello: A forma de composição da galera também foi mudando. Antigamente um chegava com uma base inteira e outro botava uma letra. Desta vez mais pessoas foram tocando junto e desenvolvendo bases junto durante um ensaio, repetindo várias vezes até chegar uma forma. Uma música que eu acho bem emblemática dentro do processo criativo é “Tempo de Carne e Osso”. Marcelo Machado tinha uma base de quatro acordes, e ele tocava as vezes nos ensaios, e aí gente começou a tocar todo mundo, encaixar uma coisinha nessa base, eu fiz uma melodia no cavaquinho. Aí fechou aquele formato, Felipe botou uma letra. Até a letra e a melodia a gente fez meio que junto, saiu uma mistura de cavaquinho com letra. É muito assim que acontece.

Marcelo Machado: Nossa coerência musical como banda vai melhorando. Nós somos sete e são onze instrumentos. Então cada coisa tem que saber onde entrar e cada vez mais vamos amadurecendo isso.

O Rafa: Acontece bem assim, acho que vou botar peça aqui, aí entra o solo de guitarra, aí a música está de um jeito, então vamos botar uma coisa aqui.

Marcelo Campello: Muitas vezes a gente tem surpresas boas pegando uma coisa do nada e jogando pra ver como fica, aleatoriamente, e fica bom.

O primeiro CD do Mombojó teve duas formas mais eficaz de distribuição: encartada numa revista (Outracoisa) pra ser vendido em bancas por um preço justo e disponibilizado no site da banda em mp3 para download gratuito. Que vantagens vocês notam nesses dois formatos de divulgar música?

Marcelo Campello: Principalmente em internet, que tem se mostrado a estratégia ideal para bandas independentes divulgar o trabalho, pois você não tem limite de prensagem. Uma vez colocando a música na internet ela pode ser reproduzida infinitamente. O que a gente fez foi liberar as músicas pra esse download caseiro, que é uma forma que a lei hoje em dia trata a pirataria, que é a comercialização de cópias ilegais, e esse download caseiro da mesma forma. Quando na verdade é totalmente diferente. Essas leis estão sendo discutidas, em muitos países isso está mudando em algumas áreas, em informática. Desde a experiência da Xérox, nunca mais a população pode voltar atrás com essa coisa da cópia livre. O caminho da música é seguir o exemplo da literatura e da Xérox.

Como a banda tomou conhecimento do Creative Commons?

Marcelo Campello: Tem um grupo lá no Recife que se chama Re:Combo que é super ativista nessa área. A gente...

Marcelo Machado: ... fizemos a capa do CD com um dos membros do grupo e ele nos deu a idéia. E através dele começamos a conhecer o que era o Creative Commons.

Samuel: É bom falar que não é do Recife só a banda. O Re:Combo tem conexão em São Paulo, na Alemanha. Os caras usam um programa que tu pode fazer música, grava uma base, manda pra um doido que é dono de uma banda na Alemanha, manda pra não sei quem, ou seja, é uma banda comunitária mundial, do caralho.

Marcelo Campello: Nessa época logo antes de lançar o primeiro disco a gente tava pensando nessas coisas. Eu tava numa viagem pessoal no meu prédio fazendo uma TV Prédio, que era um canal comunitário de TV e que funcionava dentro do prédio. Aí eu estava me questionando muito essas questões, tipo alugar uma fita e reproduzir para todos os andares. E isso era uma coisa que mexia com direito autoral. Foi onde despertou essas questões de direito autoral. E numa festa conversando com Mabuse, eu expus essas questões pra ele, que me falou: “você já ouviu falar em Copyleft?”. Eu disse não e começamos a conversar. Tudo o que ele falava tinha a ver com que eu acreditava. Esse conceito entrou na banda também.

É possível quantificar a proporção entre o investido e o retorno posterior?

Marcelo Machado: Venda de CDs a gente não tem como dizer se melhorou. A gente crê que com as músicas liberadas na internet as pessoas compraram mais CDs. Nos shows todo mundo dizia “eu tenho as músicas no computador, mas eu tenho o CD também”. E a gente chegou a tocar em alguns lugares porque os contratantes desses lugares ouviram a gente pela internet. Então se o cara de Florianópolis não tivesse ouvido a gente na internet, não teríamos ido tocar em Florianópolis na nossa primeira turnê. E lá vendemos alguns discos, e isso vale pra qualquer outro lugar.

Marcelo Campello: Parece natural que se aponte pro lado do CD em si ir sumindo e virar a coisa da música virtual. Ou a gente lida com essa realidade nova e tenta descobrir novos caminhos pra isso, ou vai fazer que nem as grandes gravadoras que estão aí falindo.

Então não tem escapatória, tem que aceitar a nova realidade...

Marcelo Campello: ... e tentar criar a nova realidade, as soluções não estão aí prontas, a gente está participando do desenvolvimento.

A questão da venda de CDs ficaria em segundo plano?

Marcelo Machado: Acaba sendo uma coisa empírica. A gente colocando as músicas na internet ajudou a aumentar as pessoas que vão aos shows, as pessoas que cantam as músicas. E quem vai aos shows e gosta, compra o CD. E a gente vendo o CD nos shows mais barato do que está nas lojas. Aí uma coisa acaba trazendo outra, e isso vai aumentando, pois na internet se propaga muito fácil. É uma coisa que tem um tempo bem diferente do que pra uma banda de sucesso, tipo uma banda que aparece do nada e vende milhões. Hoje em dia a coisa é diferente, as bandas que vão se firmando e se mantendo é ao longo do tempo que vão crescendo seu público. Tipo Nação Zumbi é uma banda que está há mais de dez anos aí e já plantaram muita semente.

Como vai ser a distribuição do novo CD que desta vez não estará em bancas de revista?

Marcelo Campello: Esse lance da revista foi uma coisa...

Marcelo Machado: ... foi na verdade uma solução pra gente, que só tinha grana pra prensar duas mil cópias pelo que recebemos da Lei de Incentivo a Cultura da Prefeitura de Recife. E duas mil cópias eram muito pouco, seria o número de cópias que a gente poderia dar pra pessoas pra fazer o contato, e pra vender nada. Aí veio o Lobão com essa idéia. Ele prensou 20 mil cópias pelo país todo. Pra gente foi bom pela quantidade de discos que a gente passou a ter depois.

Pra encerrar, gostaria de saber se alguém aqui torce pro Náutico?

Vicente Machado: Eu torço sim.

Porra man, desculpa aí pelo Grêmio ano passado. Hehehe.

(Créditos ao site O Dilúvio)



Dentre tanta porcaria no rock nacional, Mombojó se destaca e traz boas surpresas. Vale muito a pena! Bom para os órfãos dos Los Hermanos (desculpe pela comparação insistente, mas não tem jeito) que acabam de ganhar mais uma banda para ser sua queridinha.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Sempre a mesma coisa..

Silverchair está longe de ser uma das minhas bandas preferidas, bem longe de verdade! Não sei nem o que passou pela minha cabeça em dar uma chance à eles.

O recém-lançado disco Young Modern não escutei. Preferi levar em conta o lado mais comercial de uma banda: o primeiro single do novo álbum.

O disquinho começa com a radio edit da pop "Straight Lines" (a que originou o single), uma faixa que funciona muito bem e promete. Na verdade, cumpre seu papel, diferenciando-se de qualquer trabalho do Silverchair. Logo após tem "All Across The World", bem no estilão melancólico da banda: "you don't seem to care/what i care about and/baby it's a shame (to be wasted)". A terceira faixa do single é a inédita "Sleep All Day", onde finalmente se pode reconhecer a voz fraquinha de Daniel Johns. Para encerrar sem surpresa alguma, um cover ao vivo da esquecida banda Midnight Oil "Don't Wanna Be The One".

Silverchair é tão sem-graça que não tem nada demais pra comentar. É simplesmente música para ouvidos nem tão exigentes.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Renascida das trevas!

Após um jejum de 13 anos, é lançado "Aerial" no fim de 2005.

Esqueça tudo que já ouviu falar de Kate Bush e algum dia possa ter escutado. Tire de sua cabeça “Wuthering Heights” (tá, é impossível mas vale a pena tentar), “Running Up That Hill” (regravada pelo Placebo a um tempo atrás), “Babooshka” e a linda “Army Dreamers”.

O que vale em Aerial é ouví-lo sem preconceito, sabendo que ela não é mais a mesma musicalmente. Kate deixou seus fãs esperando 12 anos desde o lançamento do último álbum de faixas inéditas Red Shoe, datado de 1993. Se afastou dos holofotes, foi mãe e passou a viver uma vida normal sem o estrelismo ao qual estava acostumada no tempo em que seus hits foram lançados e faziam sucesso em rádios do mundo inteiro.

Passado todo esse tempo, eis que surge Aerial, um cd duplo de músicas grandes (principalmente se considerarmos Kate Bush uma cantora pop longe de produzir faixas de 6 minutos) e atmosfera leve. Sua voz continua límpida e calma, praticamente intocável desde seus “anos de glória”. Os discos são dividos em dois sub-títulos: o primeiro A Sea Of Honey e o segundo A Sky Of Honey.

A Sea Of Honey inicia com “King Of The Mountain”, uma faixa que introduz muito bem a nova fase de Kate, seguida de “Pi” uma das melhores do disco. As que mais se assemelham aos trabalhos anteriores da cantora são “How To Be Invisible” e “Mrs. Bartlozzi”. Por fim, tem a chatinha “A Coral Room”, um dueto com o desconhecido Michael Wood. Pode trocar de cd.

A Sky Of Honey tem poucos momentos brilhantes. Mostra muito bem a face ‘ethereal’ na carreira de Bush. Segundo a própria, este disco se baseia no entardecer e em cantos de pássaros. Falando em pássaros, pule direto para “Aerial Trail” em que ela imita sons de pássaros! Pouca coisa chama atenção no disco 2, como a bonita “The Painter’s Link” e “Something In Between” (esta como sendo uma das melhores faixas do álbum todo).

De todo, Aerial não é um disco de fácil audição. Parece chato em algumas faixas, sem ânimo algum e arrastado. Bem daqueles que guardamos lá no fundo do armário entre trilhas sonoras empoeiradas, mas que fazem a felicidade quando o encontramos. É um ótimo fundo musical pra quando se estiver ocupado e vale pra notar como uma cantora aparentemente descartável se tornou uma mulher madura e dona de boas idéias.


quarta-feira, 16 de maio de 2007

O tosco é divertido, pode acreditar.

Confesso: a minha primeira intenção era escrever algo sobre as obras de Woody Allen (quanta ousadia!) ou quem saber conseguir pela primeira vez na vida resenhar uma opinião sincera e madura dos filmes do dinamarquês Lars Von Trier (quanta pretensão!). Não deu certo.

No fim das contas, me chamou atenção o fato - sim, é fato e eu admito - da minha curiosidade extrema por cinema tosco. Não pensem em cinema tosco besteirol americano do estilo "I Still Know What You Did Last Summer" e "Scream".. mas pense na tosqueira pura! O que poderia ser tosco para uma pessoa que cresceu na geração "criados pelo Cine Trash da Band" (éééééé, aqueeele programa diário que exibia filmes 'b' de terror as 15h da tarde)? Praticamente nada né? O cara já viu de tudo.

Será mesmo? Quando você pensa que nada pode ser mais tosco que "Maniac Cop 1, 2 e 3" (o policial que matava), "Killer Klowns From Outer Space" (palhaços assassinos alienígenas que atiravam pipocas, mantinham humanos em bexigas para depois sugá-los com um canudinho), "Braindead" (ou "Fome Animal", clássico master dos filmes de terror estilo 'Gore') e "Vamp - A Noite dos Vampiros" estrelado pela cantora jamaicana Grace Jones.. eis que surgem verdadeiros extremos da tosquice cinematográfica e que, apesar de tudo, rendem muito dinheiro de uma forma ou de outra.

Grande exemplo disso é o underground "A Certain Sacrifice" de 1979. Distribuído no Brasil pela extinta Machine Vídeo em 1985, o filme foi uma experiência com as tão saudosas câmeras super-8 feita por um estudante de cinema na época residente em Nova York, Stephen Jon Lewicki. Stephen anunciou em jornais de grande circulação da "Big Apple" que precisaria de uma atriz morena para um papel forte e sem remuneração alguma. Uma carta enviada diretamente a ele chamou sua atenção. Vinha de uma garota que dizia estar demais interessada no projeto e que estava na cidade a procura de uma chance no ramo da dança, mas que lhe interessaria muito atuar em algum filme. Por pura sorte (financeira no caso) ele de imediato escolheu a moça que tinha lhe escrito para interpretar o papel principal de sua "obra-prima". Mal ele sabia que alguns poucos anos depois essa menina seria amada por milhões de adolescentes querendo se vestir como ela, falar como ela, transar como ela: Madonna. O enredo do filme é por si só uma piada. Bruna (Madonna) é uma garota típica de Nova York que conhece Dashiel (Jeremy Pattnosh), um cara meio revoltado. Dashiel discute em uma lanchonete com o desconhecido Raymond Hall (Charles Kurtz), que vem a estuprar Bruna no banheiro do estabelecimento (se alguém conseguir uma cópia deste filme, note a trilha de fundo na cena do estupro). Dashiel reúne uma turma de punks, góticos e travestis que eram escravos sexuais de Bruna (!!!) para matar Raymond em um ritual de magia negra sob os esgotos nova-iorquinos e, como desfecho da trama, bebem seu sangue. Digno de prêmios né? Toda a história é contada em um ritmo extremamente desconexo, com passagens demoradas e diálogos por vezes sonolentos e sem noção alguma. Vale e muito pra entender de onde vem a péssima atuação de Madonna (pra quem não sabe a cantora sempre foi torturada por críticos de cinema, e não é pra menos). Pra entender o porquê da sorte financeira do diretor Stephen Jon Lewicki, logo após a cantora se tornar famosa travaram uma luta judicial por um tempo. De um lado Madonna tentando impedir o lançamento do filme em vhs e do outro o "olho-gordo" do cara crescendo cada vez mais. Era o fim da "bonita amizade" que os dois tinham, quando em 1985 o mundo conheceu "Um Certo Sacrificio".

Tratemos agora da maior nojeira já vista no cinema mundial: "Fome Animal"!

Filme de cabeceira de muitos adolescentes espinhentos e metidos a amantes de "trash, gore e splatter" (todos gêneros de filmes de terror), incrivelmente esta é uma produção e direção do neozelandês Peter Jackson (o diretor da trilogia "Senhor dos Anéis") que antes de dirigir suas porcarias mainstreans fazia filmes de horror cheios de sangue e tosqueira. "Fome Animal" conta a história de Lionel (Timothy Palme) e sua mãe protetora Vera (Elizabeth Moddy) que, após ser mordida no zoológico da cidade por um macaco da ilha de sumatra, começa a se transformar em um zumbi sedento por sangue. No meio da história encontra-se Paquita (Diana Peñalver), que acredita que Lionel é sua paixão eterna. Segue a linha de "A Noite dos Mortos-Vivos" em que quem for morto por um zumbi também se torna um. É deste clássico a famosa cena em que Lionel usa um cortador de grama para triturar todos os zumbis que estão tomando conta de sua casa, que Paquita bate no liquidificador os braços e a cabeça de um homem e por fim a melhor de todas: a enfermeira McTavish e o Padre McGruder, já zumbis, transam e dão a luz a um endiabrado zumbizinho.

Sem dúvida alguma, naquele ano de 1992, se atingiu o ápice do cinema horror no mundo.

Existem muitos títulos a serem citados (em sua maioria novidades nas locadoras, alguém já reparou na quantidade de filmes 'b' lançados no Brasil em DVD com material de divulgação de excelente qualidade?), muitas e muitas personalidades a serem xingadas e elogiadas, porém só estes dois já são suficientes. De um lado um filme completamente sem gênero (tentando ser erótico, com um toque de suspense porém sem resultado algum), realizado no final da década de 70 com uma super-8 e uma futura estrela pop; do outro o passado comprometedor do diretor de uma super-produção hollywoodiana. É garantia de muita risada, pode acreditar.

Ah, só pra constar: "Fome Animal" finalmente foi lançado no Brasil em DVD pela London Filmes naquelas edições porcas de banca de revistas a R$9,99. Claro, já comprei o meu.

terça-feira, 15 de maio de 2007

A idade as vezes pesa. E muito!

Já ouviu dizer por aí que quanto mais alguém envelhece, melhor fica (tenebrosa comparação ao whisky)?
Posso provar o contrário? Então ouça o antológico e eterno The Idiot de Iggy Pop, um dos pais da maluquice.

Logo após o fim da banda The Stooges, a qual Iggy era o vocalista, ele encontrava-se novamente viciado em heroína e sem esperanças alguma de algum dia retomar o sucesso que Raw Power e Fun House tiveram. Ninguém prestava atenção neste ser estranho que Iggy Pop já era naquela época (estamos falando de meados da década de 1970!), quando apareceu em seu caminho um fã confesso: David Bowie. Nos mesmos anos Bowie vivia o estrelato intenso com o álbum Young Americans conjuntamente com a tragédia que seria seu vício em cocaína.

Pouco tempo depois Iggy integrou a turnê de Bowie do álbum como convidado especial e foi levado para a casa do amigo em Vevey, na Suíça, para compôr músicas para um futuro disco. Após, David conseguiu um contrato de três discos para Iggy, sendo renovável por mais tempo no caso dele se sair bem. Foi aí que em 77 (mais precisamente em março) era lançado The Idiot.

São claras as referências a David Bowie neste álbum, até porque ele é produtor e compositor do trabalho. Alguns anos depois, Bowie utilizou a faixa "China Girl" em seu disco entitulado Let's Dance (um dos melhores de sua carreira), o qual seria um de seus maiores hits. Destaque para as excelentes "Sister Midnight" (a primeira faixa do álbum), o fundo de boteco barato "Nightclubbing" e "Mass Production".

O tempo ainda guardava alguns imprevistos e surpresas ótimas para a dupla. Pouco tempo após o lançamento de The Idiot, a imprensa descobriu a "extrema generosidade" de Bowie para com Pop. Maldaram de todos os jeitos, chamando Iggy de "menininho de Bowie", o que lhe causou certo desconforto. Bowie se explicou: "Eu queria que Iggy voltasse a ter os holofotes devidos e por isso concordei em ajudá-lo em sua volta", e Iggy reforçou: "Ele me ajudou demais, cobrindo os custos iniciais da excursão e me ajudando a montar um show. Foi um pouco chato quando começou todo falatório por ele ser apenas o tecladista, mas o que eu poderia fazer? Ele é uma estrela e quis apenas me ajudar. Não tenho queixas".

Brinquedo ou não de David, no mesmo ano a dupla lançou o ótimo Lust For Life. Aguns dizem ser o fim da boa fase na carreira do desengonçado Iggy por se tratar do último disco seu a ser produzido por Bowie, tendo que se virar sozinho em Kill City também de 1977.

O resto da discografia de Iggy é completamnte descartável. Realmente vale o registro somento aos primeiros dois álbuns que tornaram-se ícones do rock mundial.

A idade para Iggy Pop não fez bem, na verdade.. não fez nada bem! A única maneira que o vemos por suas apresentações ao vivo é se babando de cerveja, vestindo uma calça que mal cabe em uma mulher anoréxica, sem blusa e balbuciando alguma coisa estúpida que ele acha estar cantando. Volta pro Bowie, Iggy!

As bonecas de Tori Amos..

2007 promete ser um dos melhores anos no que concerne a lançamentos de grandes artistas. Depois de lançar em 2004 o ofuscado The Beekeeper (com a tradicional versão bônus com dvd extra que fazem a alegria de fãs e admiradores fervorosos de Tori Amos), a canadense deu um tempo com as letras pessoais demais e aposta num disco conceitual.

Tori criou 5 personagens para compôr o disco: Isabel (uma fotógrafa e ativista), Clyde (frágil idealista), Santa (apaixonada e sensual), Pip (uma guerreira) e por último Tori (uma caricatura da cantora). Todas elas foram apresentadas aos fãs através de blogs na internet (!).

American Doll Posse traz uma Tori diferente, sem o abuso de seu tradicional piano e voz cansada cantando letras auto-biográficas. Na verdade, desde o antecessor The Beekeeper a dramática pianista vem apostando numa alegria maior em sua música.

Faixas como "Boucing Off Clouds", "Secret Spell" e "Velvet Revolution" merecem ser ouvidas mais vezes. Daquelas que sempre estarão no playlist do teu carro (coisa impossível de acontecer com boa parte da carreira de Tori Amos, que apesar de ter em seu currículo alguns dos álbuns mais indispensáveis a uma discoteca, poucas vezes consegue cativar extremamente o ouvinte a levar sua música além de quatro paredes).

Como sempre, o disco sai em duas versões, uma com dvd contendo clipe, bastidores de gravação e material inédito; e outra simples somente com o cd. Muitos dos discos de Tori são lançados pela BMG desta maneira.

Lançado mundialmente em 1º de maio deste ano, é com certeza um disco que marcará a nova fase na carreira de Tori Amos. Uma fase política e mais fácil de agradar.



segunda-feira, 14 de maio de 2007

Volta - a tão esperada volta de Björk.

Capa de "Volta" com a cantora vestindo uma escultura feita por artista plástico francês.


Björk prometeu com Volta fazer as pazes com os simpatizantes de uma música menos experimental - afinal ninguém agüentava tanta "irreverência" e "originalidade" apresentadas em discos em que se predominam a voz humana (como em Médulla de 2004, siim.. no disco inteiro não existiam instrumentos, somente vozes) e faixas enormemente chatas e com cara de trilha sonora de enterro (falamos de Drawing Restraint 9, trilha do filme homônimo dirigido por seu atual marido Matthew Barney e estrelado por ela).

Houve até mesmo quem apostasse que, com a participação do produtor Timbaland (o mesmo de Nelly Furtado) a islandêsa se voltasse um pouco para o hip hop. (N.R: alguém botou fé num absurdo desse?)

Apesar de Björk ter um gosto musical extremamente voltado para o pop e mainstream, afinal a musa é fã assumida de Michael Jackson e ABBA, Volta não veio tão simples assim. Manteve um pouco da atmosfera estranhíssima da trilha de Drawing Restraint 9 nas faixas "Vertabra by Vertabrae" e "Pneumonia", trouxe de volta o tom alegre e rítmico daqueles tempos de "Human Behaviour" no primeiro single do disco "Earth Intruders" e cantarolou feliz por entre arranjos de instrumentos de sopro lembrando um pouco Vespertine em "Wanderlust".

Tem até espaço para rebeldia em "Declare Independence" em que a baixinha berra em versos cheios de atitude: "Declare independence, don't let then do that to you!".

No todo, Volta cumpre seu papel. Trouxe uma Björk mais pop, digestiva e divertida. O disco têm seus pontos fracos ofuscados por muita qualidade.

Por falar nisso, os shows da turnê do álbum são um capítulo a parte. Björk roubou a cena no Festival Coachella deste ano no deserto de Indio, na California.

Ouça uma vez e estranhe. Dê esta chance à Björk. Ela merece.

Pode baixar o vídeo de "Earth Intruders" aqui (rapidshare).