sexta-feira, 9 de novembro de 2007

No fim de todos os aborrecimentos, um sucesso!


Chuva, caos, trânsito louco, tunel fechado, aeroporto desorganizado e filas. Só se via isto no Rio de Janeiro justamente na véspera do Tim Festival. Somente após dois dias de intensa chuva (sem parar, nada de exageros) é que São Pedro deu descanso aos cariocas e turistas que dão vida àquela cidade o ano inteiro; descanso este que teve seu fim adivinha quando? Exatamente até uma hora antes do início previsto para o evento começar. Muita gente chegou atrasada, a maioria chegou em cima da hora. Eu cheguei duas horas antes dos portões se abrirem.

Correria, fanzinhos descontrolados fazendo cena... o de sempre. Já na fila o assunto não era outro senão Björk, a islandêsa do povo. Quando os portões foram abertos, com um atraso maior que meia hora, o circo estava armado: passa pelo detector de metais, revista, checa ingresso, troca ingresso por pulseira, procura o palco do primeiro show, mostra pulseira, checa ingresso e pronto... agora é só manter-se em pé no melhor lugar que conseguir e esperar. Esperei por uma hora até Antony (do Antony and the Johnsons) adentrar o palco para o primeiro show da noite.

Foi difícil, não só para mim mas para todos que não estavam ali com o objetivo maior de assistir o show emocionante porém arrastado do cara mais andrógino do mundo (alguém lembra de Boy George?). As pessoas queriam Björk, não tinha jeito. Como já li em uma reportagem (a única na mídia brasileira que levou em conta o show dos caras e os botou como máxima atração do festival) a organização do Tim errou em pôr um show tão bonito e lírico para abrir outro tão nervoso e intenso que atrai gente da mesma espécie. Mesmo assim, todos foram extremamente receptivos e cantaram em coro (acredite se quiser e puder, todos conheciam a maioria das 9 rápidas músicas que Antony tocou em seu piano acompanhado somente de violoncelo e um par de instrumento de cordas). Destaque para "My Lady Story" e "For Today I Am A Boy", ambas acompanhadas pela platéia inteira; e pelo encerramento com "Hope There's Someone" a faixa mais conhecida do grande público. Infelizmente, a conversa rolava solta em alguns pontos da tenda e por vezes, que não foram poucas, se ouvia mais o murmurinho das pessoas que a voz de Antony Hegarty, que agradecia o carinho dos brasileiros com timidez e pouca voz. No geral, foi uma bela apresentação que deveria ter sido feita em um lugar mais intimista, o que combinaria com o clima do próprio show.

Os momentos que seguiram após a saída de Antony e seus companheiros do palco não foram nada agradáveis. Os montadores de palco levaram quase uma hora inteira para montar toda a estrutura que um show de Björk necessita: telas de plasma, reactable (um instrumento futurista movido a toques), bandeiras asteadas por todo o palco com gravuras de animais, muitos ventiladores, microfones para o coro de meninas que acompanha a cantora chamadas de Wonderbrass, dois imacs, muita parafernália eletrônica e instrumental, lasers a postos e jatos de papel. Um verdadeiro carnaval futurista que empolgou e levou as 4 mil pessoas presentes ao delírio. Infelizmente a diva deixou de lado faixas de grande importância como "Bachelorette" e "Oceania" (ambas cantadas no Tim de Curitiba), porém presenteou exclusivamente os fans cariocas com "Unravel", "Cover Me" e "I Miss You". Na saída, todos extasiados não falavam de outra coisa senão a energia, beleza e simpatia de Björk nos palcos. A noite foi toda dela, sem sombra de dúvidas.


Um dos momentos mais inusitados do show: Björk se enrola por entre teias de aranha que saíram de suas mãos.


Após a canseira que a pequena Björk deu em todos, eu pensei em abandonar meu passaporte para o palco "Novas Divas" e ir embora, afinal de contas a missão já havia sido cumprida. Pensei melhor e fiquei. Ao chegar à tenda, vários lugares em arquibancadas montadas a direita e a esquerda do palco, um alívio! Katia B foi a primeira, uma grata surpresa para os desavisados que não conheciam seu excelente trabalho, estava muito bonita com um vestidão e cantando uma mpb eletrônica. Agradável aos ouvidos com toda a certeza. Após, entra Antony Hegarty para "tapar o buraco" que a canadense Feist deixou no festival, alegando não poder embarcar por conta de uma crise de labirintite. Infelizmente, o som estava péssimo, não se ouvia o piano que tanto dá força às músicas do grupo e afundou a promissora apresentação do cara. Uma pena, de verdade.

Depois da monotonia que a entrada de Antony foi para o público presente, eis que surge o destaque do palco "Novas Divas": Chan (ou Cat Power) e sua trupe do Dirty Celta Blues. Para um artista, se livrar de um vício por várias vezes melhora sua performance, para Chan Marshall a bebida até fazia bem artisticamente. Tudo bem que muitas vezes ela não se apresentava por estar demais bêbada, porém seus albuns eram mais originais e suas aparições explosivas. O que apareceu na minha frente naquele palco não era nada explosivo nem muito menos impactante como todas as gratas surpresas que tive naquela mesma noite... adentrou uma moça jovial, que mais parecia uma paquita da xuxa de tão inocente e animada. Não combinava, entende? No repertório somente músicas de seus últimos albuns ("You Are Free" e "The Greatest") com uma única e no mínimo necessária exceção para "Metal Heart" do disco "Moon Pix" de 1998, que segundo a própria "é da época em que eu era uma menina malvada". No fim, enfrentei uma guerra pra poder pegar um taxi de volta pro hotel, afinal de contas já passava de 1 hora da manhã e o único transporte seria o taxi... todos pensaram da mesma maneira.

Por fim, o Tim deixa saudades... pecou demais na organização como um todo, tanto nos preços dos produtos lá dentro da Marina da Glória (que por si só já é um espetáculo para os olhos) como na falta de praticidade de se adentrar o local, causando um certo tumulto. Pontos positivos foram muitos como a decoração do espaço de convivência que ficou excelente e a pequena Björk que mais pareceu um furacão.

2 comentários:

Juliana Tuma disse...

Caracaaaaaaaa...

Deve ter sido transcedental né?

Ahhh... Feliz por ti!!

elvavieira disse...

só sei que fiquei com saudades :~